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Organizações de juventude preparam jornada de lutas unificada para o mês de março

Plenária de movimentos da juventude brasileira reúne mais de 20 entidades em SP no sábado (23)

Ato é a preparação para uma grande Jornada de Lutas unificada em março e abril, por todo o país; UNE, MST, CUT, CTB UBES, UJS, JPT, JSB, JPL, Fora do Eixo, movimentos de mulheres, do hip hop, ciclistas, skatistas, e outros grupos estarão presentes

Mais de vinte movimentos ligados à educação, juventude, cultura, esporte, trabalho, mulheres, questão racial, transporte e direito à terra no Brasil participam de um grande ato em São Paulo, no próximo sábado (23), à partir das 9h, no auditório do Sindicato dos Químicos.

O encontro, que é aberto ao público em geral, é preparativo para a Jornada de Lutas unificada, que será realizada em março e abril, por todo o país, pelos setores de juventude desses diversos movimentos. A coalizão é inédita no país e deverá consolidar as principais bandeiras e reivindicações dos jovens brasileiros, neste momento, aos governos federal, estaduais e municipais.

REIVINDICAÇÕES
Entre os grandes consensos está a necessidade de investimento de 10% do PIB brasileiro na educação pública, além de 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal também no setor educacional. Outra pauta urgente e unificada é combate à violência e extermínio da população jovem e negra no Brasil, principalmente nas periferias das grandes cidades. Dados recentes do Conselho Nacional de Juventude mostram que, do total de homicídios no país, 70,6% das vítimas são negras e 53,5% são jovens com idades entre 15 e 19 anos.

A necessidade de trabalho decente para a juventude brasileira urbana, com garantia de todos seus direitos e a possibilidade de adequação das suas atividades à formação educacional e cultural também terá grande destaque entre as reivindicações, assim como a reforma agrária para o pleno desenvolvimento dos jovens nas zonas rurais. Outro tema prioritário para o movimento é a democratização dos meios de comunicação no país, combatendo o domínio dos grandes grupos econômicos sobre o setor e promovendo as novas alternativas de redes e conhecimento livre, rádios e TVs comunitárias, novas mídias e internet.

AGENDA DO ENCONTRO
Durante a parte da manhã, os movimentos realizarão um debate sobre a conjuntura nacional e seu impacto sobre a juventude. Na parte da tarde, serão planejadas, de forma mais aprofundada, as manifestações da Jornada de Lutas em diversas cidades brasileiras. Ao final, haverá atividade cultural, a partir das 18h, na Casa Fora do Eixo. O Sindicato dos Químicos fica na rua Tamandaré, 348, Liberdade. A Casa Fora do Eixo fica na rua Scuvero, 282, também no bairro da Liberdade.

SOBRE A JORNADA DE LUTAS UNIFICADA
Tradicionalmente realizada no mês de março pelas principais entidades do movimento social, a Jornada de Lutas do mês de março, neste ano, está sendo construída coletivamente com destaque para a área da juventude. A intenção é conseguir mais força e pressão a favor de temas que são considerados urgentes para todos. Os movimentos estão se reunindo desde o mês de novembro.

A Jornada de Lutas unificada deverá acontecer no final nas últimas semanas de março e primeiras semanas de abril Estão previstas grandes mobilizações organizadas em dez capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.

SERVIÇO
O quê? Encontro preparatório da Jornada de Lutas unificada da Juventude
Quando? Sábado, 23 de fevereiro
Debates, a partir das 9h / Atividade Cultural, a partir das 18h
Onde? Debates – Sindicato dos Químicos (Rua Tamandaré, 348, Liberdade)
Atividade Culturais – Casa Fora do Eixo (Rua Scuvero, 282, Liberdade)
Todas as atividades são abertas ao público

Uma juventude contra a ditadura militar

União da Juventude Patriótica: jovens contra a ditadura e o imperialismo.

Por Augusto Buonicore *

Á Joel Vasconcelos dos Santos e Lincoln Bicalho Roque, heróis da juventude e do povo brasileiro

Nasce a UJP

Existe uma visão equivocada sobre a política adotada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no auge da ditadura militar. Muitos ainda acreditam que ele, especialmente após a decretação do AI-5, tivesse abandonado sua atuação no movimento de massas para se dedicar exclusivamente à luta armada.
De fato, o PCdoB empregou parte importante de suas energias na montagem da guerrilha rural, mas jamais abandonou a perspectiva de se inserir nas lutas sociais urbanas. Foi, justamente, isso que o diferenciou da maioria das correntes revolucionárias que combatiam a ditadura militar, tornando-o numa força política expressiva – ao lado da Ação Popular (AP) – no interior movimento estudantil brasileiro. Este partido chegou a ter maioria na última diretoria clandestina da UNE (1970-1973). Particularmente no antigo Estado da Guanabara este crescimento foi mais sentido.
Neste artigo trataremos de uma das muitas das tentativas feitas pelo Partido Comunista do Brasil para se manter vinculado às massas juvenis no auge da truculência ditatorial (1969-1975). Refiro-me a experiência de construção da União da Juventude Patriótica (UJP).
Uma das pessoas indicadas pela direção do Partido para organizar essa entidade foi Myriam Ribeiro Costa, estudante da UFRJ. O PCdoB da Guanabara, afirmou ela, “destacou alguns quadros para participarem de uma Comissão Estadual Provisória, com o objetivo de construir uma agremiação revolucionária que congregasse os jovens independentes interessados e motivados em lutar contra o regime militar e pelas reivindicações populares (…). Durante l969 e no início de l970, reunimo-nos inúmeras vezes para discutir e elaborar o Programa e o Estatuto, que seriam o ponto de partida da empreitada”.
A decisão não foi fácil, pois existiram opiniões diferentes sobre como esta entidade deveria ser organizada: “quando discutíamos o Estatuto, chegamos a um impasse: a UJP deveria ser oficialmente subordinada ao PCdoB, por menção estatutária, ou ser dirigida por esse partido, sim, mas num quadro de autonomia política? Nesse ponto, solicitamos a presença do Comitê Regional. Não sendo resolvida a controvérsia, apelamos ao Comitê Central, que decidiu pela segunda alternativa (…). Carlos Danielli ajudou a por um ponto final na controvérsia: a UJP deveria ser uma organização de frente única, dirigida pelo PCdoB, sim, mas por meio da eleição democrática de seus dirigentes, e não uma espécie de Juventude Comunista, de antemão vinculada a esse partido e oficialmente subordinada às suas decisões”.
Carlos Henrique Tibiriçá – ou simplesmente Caíque – começou a se aproximar da esquerda em 1966, ficando dividido entre o PCdoB e a Ação Libertadora Nacional (ALN). Contudo, quando da decretação do AI-5, ele optou por se vincular definitivamente ao primeiro. Enquanto comunista e militante do movimento estudantil, participou ativamente do processo de construção da UJP e compôs a Comissão Estadual, ficando responsável pelo setor secundarista. Este, por sinal, foi um dos setores mais ativos daquela organização, até ser destroçado pela repressão pouco tempo depois.
Numa entrevista ao autor, Caíque esclareceu que “a criação da UJP (…) era parte de uma experiência que se desse certo na Guanabara seria paulatinamente estendida aos demais estados (…). As primeiras discussões sobre a criação da UJP que participei, foram com Jover Telles, Armando Frutuoso, Lincoln Bicalho Roque e o assistente do meu setor, que era o José Roberto Brum de Luna, todos dirigentes do Comitê Estadual, os três primeiros também do Comitê Central”.
Assim, em março de 1970, foi fundada a União da Juventude Patriótica e para se filiar a ela não precisava ser comunista ou marxista-leninista. Bastava ser antiimperialista e contra a ditadura militar. O seu estatuto afirmava que ela se constituía numa “organização revolucionária de jovens patriotas e democratas, sem distinção de raça, classes, princípios ideológicos, religiosos e filosóficos”. O seu objetivo era “mobilizar, unir e organizar os jovens cariocas na luta pela derrubada da ditadura militar que infelicita nossa pátria, pela libertação do Brasil do jugo do imperialismo norte-americano e pela extinção do latifúndio; pela conquista de um governo verdadeiramente democrático e popular que assegure à juventude e a todo o povo brasileiro um regime de liberdade, progresso, cultura e um mínimo de vida digna”.

A entidade se organizava através de núcleos dos quais participavam entre 3 e 5 jovens. Estes núcleos se estruturavam clandestinamente por local de trabalho, setor profissional, de estudo, de moradia, esportivo e de diversão. Seus membros usavam “nomes de guerra” e os diversos núcleos não podiam ter relações horizontais entre si. Era uma estranha mescla de entidade de massas que ao mesmo tempo era clandestina. Uma fórmula que já sinalizava para dificuldades futuras.
Da primeira direção da UJP participavam: Lincoln Bicalho Roque (Mário), como secretário político; Myriam Ribeiro Costa (Mariana), como secretária de organização e de imprensa; Carlos Henrique Tibiriça (Artur), responsável pelo setor secundarista. Havia ainda duas outras pessoas cuja identidade ainda não se tem certeza. Lincoln Bicalho (foto ao lado), segundo Caíque, “era um dirigente preparado, formulador, organizador, sempre parceiro de todos os militantes. Muito querido por todos os que o conheceram. Sua atuação foi fundamental para que a UJP se consolidasse. Atuava com desprendimento e alegria”. Ele tinha ingressado no PCdoB após o golpe de 1964 vindo de uma importante dissidência do PCB na Guanabara.

Veja a cena do documentário de Silvio Tendler que aparece uma cena com Lincoln Bicalho Roque e sua companheira Tânia:

Uma juventude contra a ditadura e o imperialismo.

A opção pela luta armada – especialmente a guerra popular prolongada – estava presente em todos os documentos da entidade. Afinal seus principais dirigentes eram do PCdoB. O programa, por exemplo, afirmava: a UJP visa “unir e organizar em suas fileiras, os jovens patriotas da Guanabara (…) para que possamos desempenhar de modo unificado nosso papel (…) nos preparativos para o desencadeamento da guerra do povo”. A mesma conclamação era feita em seus boletins. A existência da UJP contribuiu muito no processo de recrutamento de jovens cariocas para a Guerrilha do Araguaia, iniciada em abril de 1972. Cerca de duas dezenas deles lutaram e morreram na guerrilha. Isso explica a violenta repressão que se abateu sobre aquela organização revolucionária juvenil.
Um das primeiras medidas da nova direção foi lançar um boletim intitulado simplesmente UJP. “A tarefa de editar o jornal da UJP, declarou Myriam, era minha. Lincoln se responsabilizava pelo editorial e ainda escrevia outras matérias. Também era minha função produzir a seção que relatava as lutas do povo brasileiro desde o período colonial (…). O objetivo dessa coluna era, com tais exemplos, despertar uma identidade histórica nacional e estimular a luta revolucionária. (…) Eu admirava (o Lincoln) por sua rapidez em escrever. Como éramos responsáveis pelo jornal, às vezes íamos à Biblioteca do Real Gabinete Português, para discutirmos um pouco mais sobre as matérias. Não raro, ali mesmo ele redigia o editorial, num arranque só. Geralmente, escrevia à mão, no primeiro pedaço de papel que encontrava”.
Na “Semana da Pátria” de 1970, no ápice do ufanismo ditatorial, os seus militantes distribuíram milhares de manifestos ao povo brasileiro. Neles se afirmava: “A Ditadura entreguista nunca defenderá a Pátria brasileira. Nossa independência precisa ser conquistada pelo povo. É preciso que o povo brasileiro se una e lute corajosamente, inclusive de armas nas mãos. Só assim será derrubada a ditadura assassina e traidora de Médici. Só assim conseguiremos um governo popular e verdadeiramente revolucionário”. Em março de 1971, a UJP lançou o manifesto: “7 anos de fascismo – Abaixo a ditadura. O povo vencerá!”. Novamente conclamava a necessidade de preparação da guerra popular contra o regime militar.
Ser pego com esses panfletos poderia custar muito caro para os seus jovens militantes. Entre outubro e novembro de 1970 caiu nas garras da repressão o núcleo da Faculdade de Direito da UFRJ. Mas, o pior ainda estaria por vir.

No dia 15 de março de 1971, o líder secundarista negro Joel Vasconcelos dos Santos (foto ao lado) e um companheiro foram presos próximo do morro do Borél. Os dois passaram a ser torturados. Na ocasião, Joel carregava inúmeros documentos das organizações clandestinas nas quais militava: a UJP e o PCdoB O amigo testemunhou que ele foi seviciado durante todo tempo que estiveram juntos na Polícia do Exército. Morreu destroçado nas garras dos seus algozes sem dizer uma única palavra, pois ninguém “caiu” devido a sua prisão. “Cair” era a gíria que usavam para referir-se a prisão de militantes.
Joel era aluno da Escola Técnica do Rio de Janeiro e um dos principais organizadores da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (AMES) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Os órgãos de repressão ainda tentaram negar sua detenção e, depois, disseram que já havia sido libertado. Desde então nunca mais foi visto. Ele foi o primeiro militante do PCdoB a ser assassinado durante a ditadura militar brasileira.
Na mesma época, a polícia invadiu a Escola Técnica Federal de Química e prendeu a estudante Elisabeta Bonetti. Ela, como de praxe, foi muito torturada. O fato de ter nacionalidade italiana quase causou um incidente internacional. Depois de uma negociação entre os dois governos, a jovem comunista foi expulsa do país. Como Joel, a garota Elisabeta era membro da direção do Comitê Secundarista do PCdoB e da União da Juventude Patriótica.

Em meados do ano anterior, a UJP tinha tido uma importante participação na campanha da contra a “farsa eleitoral”. Em 1970 o total de votos nulos e brancos, defendidos pela esquerda, bateu um recorde histórico, atingindo 30,3% dos eleitores. Some-se a esses os 22,6% que resolveram se abster da votação. Isso mostrava o descontentamento, ainda que difuso, com o regime militar.
A UJP destacou-se por sua capacidade de agitação e propaganda: “Realizávamos grandes panfletagens. Boletins eram amplamente divulgados, pichações eram feitas em todos os bairros, e a maioria dos banheiros de restaurantes e ônibus da cidade tinham inscrições a Pilot da UJP. Organizamos desta forma, centenas de jovens muitos deles não militantes do PCdoB. A ‘chuva de panfletos’ era realizada na mesma hora por pares de militantes que recebiam na hora a localização da janela onde deveriam jogar os volantes, a justificativa do que faziam no prédio em caso de repressão”, concluiu Caíque. Um outro militante secundarista, José Roberto Áreas, descreveu assim a sua atuação: “os militantes tinham um pincel atômico e escreviam em todas as portas ou paredes dos banheiros públicos, assinando UJP em um triângulo. Em cada ponta do triângulo uma letra. Nos bancos dos ônibus também era comum escrever nas costas do banco da frente”.

Em junho de 1970 os estudantes, comandados pela UNE e a UBES clandestinas, realizaram uma manifestação contra a invasão do Camboja pelos EUA e conclamando o voto nulo. Quem falou pelas duas entidades foram, respectivamente, Ronald Rocha (foto ao lado) e o Luis Artur Turíbio (Turiba) – dois dirigentes estudantis do PCdoB. Um dos participantes descreveu esse ato: “Queimamos uma bandeira americana, levada por nós, secundaristas, caminhamos com a bandeira vermelha e azul com a estrela dourada dos vietcongs e enforcamos um boneco do Tio Sam”. Grande parte dos manifestantes era ligada a UJP.
Segundo os órgãos de repressão existiam mais de 15 núcleos da UJP nas escolas secundárias da Guanabara. Para Caíque, responsável por essa frente, o número de núcleos era bem maior. Sobre a influência da entidade, nos confidenciou Myriam Ribeiro, “de março de l970, quando foi fundada oficialmente, a setembro de l972, a UJP cresceu vertiginosamente, chegando a ter cerca de 600 membros. Afirmo, com certeza, essa data e esse número de militantes porque, em nosso último ‘ponto’, eu e Lincoln fizemos um balanço geral da situação”. Números realmente espantosos, tendo em vista que vivíamos em meio a uma ditadura militar fascista.
Um dos motivos deste crescimento é que as organizações de esquerda, como a Dissidência Comunista da Guanabara, que tinham força junto aos estudantes, acabaram se afastando do movimento para dedicarem-se quase que exclusivamente à atuação guerrilheira. No início dos anos 1970, quando a UJP ainda se formava, a grande parte das jovens lideranças que partiram prematuramente para a luta armada já estava presa, exilada ou morta. Criou-se, assim, uma vazio político que foi rapidamente preenchido pela combativa juventude criada pelo PCdoB.

Guerrilha, repressão, morte … e esperança.

Após o início da Guerrilha do Araguaia, em abril de 1972, teve início a grande repressão contra o PCdoB nas cidades. No Rio de Janeiro as prisões começaram entre maio e junho daquele mesmo ano. Os primeiros a cair foram os combativos secundaristas. Caíque (Foto ao lado), responsável pelo setor, afirmou: “Só fui saber da extensão das quedas quando já estava no DOI-CODI da Rua Barão de Mesquita no Rio num ambiente de torturas generalizadas”. Do Comitê Secundarista foram presos, além de Caíque, Tasso de Lara Donato Cristina Capistrano (filha de David Capistrano), Iracema Soares, Ubirajara Soares, Luís Artur Turíbio (o Turiba da UBES), Fernando Leite Costa. O principal dirigente comunista preso na ocasião foi José Roberto Brum de Luna, que era membro do Comitê Regional e dava assistência ao comitê secundarista do PCdoB.
Na rede também cairia o secundarista José Roberto Áreas: “uma companheira não resistiu as tortura e levou a repressão no Colégio Estadual Paulo de Frontin onde eu estudava. Ao entrar na escola fui abordado por vários policiais a paisano, me chamando pelo codinome de João. A partir daí fui seqüestrado e me levaram para um carro. Colocaram um capuz na minha cabeça e me fizeram deitar no chão do carro em frente os bancos detrás (…). Começaram a rodar, e conversando entre eles aonde deveriam despachar o meu corpo. (…) A partir dai foi o tempo todo numa roda e levando porrada por todos os lados sem saber de onde vinha porque estava de capuz (…). Depois me levaram para a geladeira, que era um frigorífico e ficava fechado com frio e escuro e na câmara de som, onde se ouvia um som com várias intensidades, que penetrava nos poros como se fosse agulha espetando, ou nos colocavam numa sala, com holofotes do exército aceso em cima de gente fazendo um calor violento (…). Toda hora ouvia a chegada de mais gente, gritos de tortura”. José Roberto calculou que mais de cem pessoas estavam presas ali. Alguns afirmam que, no total, foram 300 os militantes comunistas encarcerados naquela ocasião. A maior operação policial realizada contra o PCdoB nas cidades até então.
Num primeiro momento as estruturas do Comitê Universitário e do Comitê Regional do PCdoB não foram muito atingidas. No entanto, as coisas se complicaram ao longo do ano. A repressão estava decidida a eliminar o PCdoB do Rio de Janeiro, considerado um dos principais celeiros de quadros para a Guerrilha do Araguaia. No final de agosto ocorreu a prisão de Ronald Rocha, dirigente do PCdoB e diretor da UNE. A onda repressiva, finalmente, chegou aos universitários.
Entre dezembro de 1972 e março de 1973 quatro importantes membros do Comitê Central ligados ao Rio de Janeiro foram presos, torturados e assassinados: Carlos Danielli, Lincoln Cordeiro Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. O assassinato de Lincoln Bicalho representou um duro golpe contra a UJP. Os principais núcleos agora estavam desorganizados e seus dirigentes presos ou foragidos. Apesar das pesadas baixas, a UJP continuou existindo e resistindo.
Uirtz Sérvulo, por exemplo, ingressou na UJP em 1972 e escapou da onda de prisões. Ele era ligado ao setor da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e, por segurança, não tinha qualquer contato com o setor estudantil. Entre suas atividades estava a divulgação da Guerrilha do Araguaia. Segundo ele, a UJP ainda se envolveu numa campanha pelo voto nulo nas eleições de 1974. Possivelmente não tenha chegado aos seus quadros a nova diretiva do PCdoB que era votar na oposição à ditadura, ou seja apoiar o MDB contra a ARENA.
Outra ex-militante da UJP, Dilcéia Quintela, ingressou na organização no início de 1974 e atuava em Nova Iguaçu, baixada fluminense. Em 1975 ela e Uirtz foram presos, na nova queda que atingiu o PCdoB no Rio de Janeiro. “Provavelmente, disse-nos ele, o nosso setor foi o último a ser aprisionado pela ditadura, em maio de 1975. Não conheço registro de ações da UJP após estas quedas”. De fato, as novas quedas do Comitê Regional do Rio de Janeiro em 1975, que levaram a morte Armando Frutuoso e as prisões de Jover Telles e José Maria Cavalcante, impuseram obstáculos instransponíveis à existência de uma organização como a UJP.
Durante a sua existência mais de uma centena de jovens militantes foi presa e seviciada nas delegacias e quartéis. Lincoln e Joel morreram sob torturas e outras dezenas tombaram nas selvas do Araguaia. Eles não conseguiram derrubar a ditadura e construir um poder popular como almejavam, mas nos deixaram uma semente. Como afirmou um de seus antigos militantes: “A UJP foi um pólo de resistência à ditadura. Nas condições adversas para a luta popular, contribuiu para manter acesa a chama da revolução no Rio de Janeiro”. Viva a União da Juventude Patriótica.

Referências:

§ Agradeço os depoimentos dados por Carlos Henrique Tibiriçá (o Caíque), Myriam Costa de Oliveira, ex-dirigentes da UJP; Ronald Rocha; José Carlos Áreas; Uirtz Sérvulo; Dilcéia Quintela; Nelson Nahon e Dyneas Aguiar.

§ Estatuto, Programa, jornais e processos contra membros da UJP encontrados na coleção Brasil Nunca Mais que se encontra depositada no arquivo Edgar Leuenroth/Unicamp.

* Augusto Buonicore é historiador e secretário geral da Fundação Maurício Grabois.

Dilma Presidente: um novo tempo para lutas e conquistas

A eleição de Dilma Roussef, a primeira mulher a ocupar a Presidência da República no Brasil, renova um novo tempo de esperanças e possibilidades de conquistas para o nosso país e em especial para a juventude. Avançamos muito durante os quase 08 anos de Governo Lula. Vista antes como um problema, a juventude ganhou visibilidade com programas e ações do Governo Federal, conquistou direitos importantes e hoje pode efetivamente se transformar em um agente protagonista desse novo projeto de desenvolvimento em curso no Brasil.

Passadas as merecidas comemorações por essa importante vitória popular, nossa tarefa agora é apresentar para a próxima Presidente, para o Congresso Nacional e para os movimentos sociais, novas bandeiras e propostas, um conjunto ousado de medidas para aprofundarmos as transformações iniciadas com o Governo Lula.

A vitória de Dilma é o êxito de um projeto que congrega forças progressistas em torno de um programa que combina soberania nacional, desenvolvimento econômico, distribuição de renda, inclusão social e liberdades políticas. Dilma contará no Congresso com uma maioria parlamentar consolidada, tanto na Câmara, quanto no Senado. Tem o apoio também da maioria dos Governadores eleitos, e a expressiva votação obtida, mais de 56 milhões de votos, lhe confere grande autoridade e força política diante de todo o povo brasileiro.

É portanto um cenário fértil para obtermos mais avanços e conquistas. Desperdiçar essa oportunidade seria uma grande derrota para todo o povo. É ai que entra o papel da juventude e dos movimentos sociais: temos que apresentar um conjunto de novas bandeiras e propostas, uma plataforma ousada de políticas públicas que reconheça os mais de 50 milhões de jovens brasileiros como parte fundamental da realização de um país justo, soberano e democrático.

O ano de 2011 deve ser um período de intensas mobilizações juvenis. Esse é o principal caminho para obtermos conquistas importantes. Logo no início de janeiro a Cidade Maravilhosa receberá milhares de estudantes de todo o Brasil. É o movimento estudantil mobilizado para participar do 13º Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE, do 1º Encontro de Grêmios da UBES e da 7ª Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes. De forma muito acertada, as entidades estudantis convocam os estudantes brasileiros e suas entidades de base para já no início do novo governo pautar bandeiras e reivindicações para esse novo período. É também uma grande oportunidade para fortalecer a luta dos estudantes pela aplicação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal em educação.

Devemos também pautar entre as organizações juvenis propostas relacionadas as oportunidades que a realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, abrem para a juventude. Precisamos também aprofundar o debate sobre a relação entre educação e o trabalho, além de construir medidas que garantam o trabalho decente e qualificado para a juventude. A luta pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais está também entre as prioridades das pautas juvenis.

O tema do meio ambiente e da cultura também precisa ganhar relevo na agenda política. O desenvolvimento do país, em seu conceito mais abrangente e progressista, só ocorre efetivamente quando acompanhado da valorização do trabalho e na melhoria de suas condições, da qualificação e do fortalecimento da educação pública, da distribuição de renda, do enriquecimento cultural e político de toda a sociedade e da utilização sustentável dos recursos naturais.

Temos também uma grande oportunidade para fortalecer e ampliar a participação juvenil. A realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, já convocada pelo presidente Lula, deve servir para consolidar esse canal de participação e efetivamente transformar em políticas de Estado as Políticas Públicas de Juventude. Reivindicamos da Presidente Dilma que eleve a política de juventude do Governo Federal ao centro das decisões e trate a pauta juvenil como um assunto estratégico para nosso país.

Esse é apenas o começo, trazemos em nossas mãos a vontade desmedida de lutar e de construir a nossa história. Com uma mulher guerreira na Presidência do nosso país, nossa grande luta é transformar todas as possibilidades de avanços em realidade.

Juventude latino-americana unida pela paz e pelas transformações sociais

Na semana que passou, Buenos Aires foi a capital da juventude latino-americana que luta pela paz e pelas transformações sociais. Nos dias 17 e 18 de agosto aconteceu o II Encontro de Juventude do Fóro de São Paulo (Forúm que reúne partidos políticos de esquerda de toda a América). A delegação da UJS foi composta por mim, Ticiana Alvares (Titi), Dir. de Solidariedade Internacional e presidente da UJS/RS e Augusto Chagas, presidente da UNE.

Logo na chegada a Buenos Aires me chamou atenção a força da campanha de comemoração do Bicentenário de Independência da Argentina. Por todos os lados anúncios, letreiros, cartazes, do Governo Federal e também da iniciativa privada, todos comemorando a marca histórica de 200 anos de independência e do início da construção da pátria argentina. Clique aqui para acessar o site do Bicentenário.

No primeiro dia tivemos a manhã livre e a feliz concidência de ser feriado na Argentina pela passagem dos 160 anos do falecimento de San Martin, um dos ícones da luta pela libertação da América espanhola. Aproveitamos para

conhecer alguns pontos importantes de Buenos Aires, como a Plaza de Mayo e a Casa Rosada (Sede do Governo da Argentina). No interior da Casa Rosada há

Plaza de Mayo e Casa Rosada

uma exposição interessante que reúne personagens de diferentes épocas que lutaram pela libertação e pela integração solidária de toda a América Latina. Ali encontramos quadros de Simon Bolivar, José Martí, Che Guevara, mas também de brasileiros como Tiradentes e Getúlio Vargas.

Já na atividade de instalação do Foro de  São Paulo, presenciamos uma fala de Manuel Zelaya, presidente deposto por um golpe de Estado em Honduras, onde ele relata expressamente que Lula e Celso Amorim salvaram sua vida, ao abrigá-lo com segurança na Embaixada brasileira de Tegucigalpa, enquanto o governo golpista o perseguia dentro de seu próprio país. Veja no vídeo abaixo o trecho em que ele fala de  Lula e do Brasil:

O II Encontro de Juventude Foro se realizou de forma muito exitosa. Foram mais de 40 organizações políticas vindas de 16 países da América Latina.

Brasileiros no Encontro de Juventude do Foro

Com grande unidade, a resolução final do Encontro tratou de reafirmar o apoio às transformações sociais em curso em inúmeros países da América Latina e de denunciar a situação conflituosa na Colômbia, país que persegue duramente organizações políticas de esquerda e do movimento social e que tem servido como um preposto aos interesses imperialista dos EUA no nosso continente. O documento destacou ainda a importância da eleição de Dilma Rouseff para a presidência do Brasil, para que o nosso país aprofunde as mudanças iniciadas com o Governo Lula e continue jogando importante papel no desenvolvimento

Uruguaios com Dilma

e na integração solidária da América Latina. Na plenária final do Encontro, foi grande a concorrência pelos adesivos de Dilma, e sem dúvida, é grande o apoio de toda a esquerda latino-americana para a eleição da nossa candidata. Veja a turma do Uruguai:

O II Encontro de Juventude também convocou todas as organizações presentes a ampliar a mobilização ao Festival Mundial das Juventudes Democráticas da FMJD, que acontecerá em dezembro de 2010 na África do Sul e do qual a UJS é parte da Comissão Organizadora Internacional.

Juvetude latino-americana unida triunfará! Viva o socialismo e viva a América Latina!

Juventude ligada na agenda política

O Conselho Nacional de Juventude tem novo presidente. Tomou posse na última quarta-feira (10/03) em Brasíla, meu amigo e camarada Danilo Moreira. Danilo já foi diretor da UNE e da direção nacional da UJS, hoje é secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República.

Entre as prioridades da agenda do CONJUVE se destacam a elaboração de uma plataforma de compromissos com a juventude aos candidatos à Presidência da República e a convocação no primeiro semestre do próximo ano da 2ª Conferência Nacional da Juventude.

Reproduzo abaixo a entrevista que ele concedeu ontem ao Portal Vermelho:

Danilo: a juventude deve ser protagonista de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento

Vermelho: Quais os avanços que podem ser pontuados em termos de política para a juventude após a realização da 1ª Conferência Nacional da Juventude?
Danilo Moreira: A gente vai chegando ao final do mandato do presidente Lula com inúmeras realizações apresentadas. A conferência aconteceu em 2008. Ela ajudou a impulsionar o que já estava em andamento e criar coisas novas. Nela, a juventude negra foi o tema prioritário, especialmente aqueles jovens que morrem violentamente, vítimas de assassinatos. Existe um programa do governo chamado Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) com inúmeras ações para assegurar direitos a essa parcela da população. Acho que isso é uma conquista importante. Outra resolução da Conferência, na área de esporte, levantou a necessidade de se construir mais equipamentos nos bairros. Imediatamente após a Conferência o próprio Ministério do Esporte anunciou as Praças da Juventude. Isso é uma conquista que eu posso atribuir exclusivamente a Conferência. Tanto é que a Praça da Juventude é um ponto de partida para algo que será anunciado daqui a mais uns dias, ainda no governo Lula, como parte do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Ou seja, o tema da juventude passou a entrar numa agenda do principal programa do governo federal.

Vermelho: O que será anunciado nessa área?
DM: Está sendo debatido um equipamento para a juventude, um espaço que possa integrar a área de cultura, esporte e os movimentos juvenis. Mas isso é um anuncio que ainda será feito no fim de março ou começo de abril, inclusive pela ministra Dilma (Rousseff – ministra-chefe da Casa Civil) que é a responsável pela condução do PAC.

Vermelho: Que tipo de ações precisam ser fortalecidas?
DM: Nós vamos ter que apresentar um investimento muito grande na política educacional. Investimento na educação pública, na universidade pública, no fortalecimento da rede de escolas técnicas e escolas técnicas profissionalizantes. A educação talvez seja a principal política de juventude. Também necessita de um cuidado especial a esses segmentos que são vulneráveis da juventude. O Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens) é o principal programa que a Secretaria Nacional da Juventude coordena. Um programa voltado para esse público que abandonou a escola e tem dificuldade no mercado de trabalho. Eu destacaria também a questão da participação social. O diálogo que o governo federal tem hoje com os movimentos juvenis é diametralmente oposto do que tinha o governo anterior. Qualquer contato que o estado tinha com juventude era por meio da polícia. A gente enfrentava a polícia na rua. Agora não. Você tem um Conselho Nacional de Juventude, a realização da Conferência e tem a relação direta do presidente com diversos movimentos juvenis, a UNE em especial.

Vermelho: Mas os problemas ainda estão bastante acentuados, a exemplo da violência…
DM: Acho que a gente precisa ter uma ação ainda maior na questão da morte por causas externas da juventude, seja por conta de jovens que morrem por arma de fogo, geralmente são jovens negros das periferias, seja os jovens que morrem por acidente de trânsito, que grosso modo são jovens brancos de classe média. Mas o fato que é uma geração de jovens que está perdendo a vida. Essa questão do direito a vida é um gargalo. Os próximos governos precisam dar muita atenção a isso. Acho que também outro gargalo é a questão do ensino médio. É reconhecido que existe uma crise de identidade do ensino médio. Se a gente perguntar para qualquer jovem que está num banco de escola por que ele está ali, ele vai dizer que acha a educação importante, mas ele está ali sem nenhuma identidade com aquela escola, o currículo dela, a metodologia, os professores e o ambiente escolar. Essa é uma faixa da juventude muito importante e os dois temas são gravíssimos.

Vermelho: E os problemas enfrentados no mercado de trabalho?

DM: O problema de hoje é a qualidade do trabalho que esses jovens conseguem ter. Jovens com remuneração precária, baixos salários e muitos na economia informal. Então nós estamos trabalhando com a principal bandeira de um trabalho decente para juventude, um conceito que OIT (Organização Internacional do Trabalho) está utilizando e que a gente acha bastante justo.

Vermelho: Em muitas ocasiões a tua geração já foi tratada por estereótipos. O principal deles é que se trata de uma juventude alienada. O que você acha disso?
DM: Acho isso uma injustiça, a geração atual carrega essa injustiça. Sempre atribuem a ela esse mito da apatia, a não participação, o distanciamento da política que não é muito verdadeiro. Geralmente nos comparam as gerações anteriores da década de 60, 70, mas se você observar do ponto de vista até quantitativo o número de jovens que participa hoje é muito maior. Se você observar nossa Conferência Nacional foram 400 mil participantes no processo. Você tinha lá jovens organizados em diversos movimentos, hoje felizmente o movimento de juventude não é sinônimo de movimento estudantil. A gente acha importante movimento estudantil, mas há jovens que lutam pelo meio ambiente, jovens trabalhadores, trabalhadores rurais. Então isso é bom, você tem diversidade de movimentos juvenis.

Vermelho: O que você acha do movimento Hip Hop?
DM: É uma grande manifestação, outra linguagem. Linguagem da cultura, do grafite, corporal, a dança de rua e tem uma mensagem política, mas não é só o Hip Hop tem outros movimentos. Mas o que existe e, é importante dizer, é que existe uma exclusão política da juventude, não uma apatia. Existe uma exclusão. Se você observar desde a redemocratização você ver quantos jovens deputados federais eleitos no Brasil. Então tem um número que não ultrapassa 2%. Você tem uma população hoje no Brasil que é de 50 milhões de jovens que equivale a 26% da população brasileira, mas no Congresso Nacional você tem 2% (de jovens) deputados federais.

Vermelho: Que não podem ser candidatos ao Senado?

DM: Isso! Só na Câmara. Então é uma exclusão. Jovem é importante para fazer movimento, pedir voto e carregar bandeira em passeata, mas na hora de espaço de poder para os jovens são poucas Manuelas (referência a deputada federal Manuela D´ávila do PCdoB do Rio Grande do Sul). A gente precisa tratar isso a sério com os partidos políticos porque existe um enorme preconceito. Então eu acho que o problema é mais a exclusão política.

Vermelho: Do ponto de vistas das eleições 2010, o que se pensa em termos de juventude?
DM: Eu vejo com otimismo, inclusive esse será o principal ponto de atuação do Conselho este ano. Nós vamos reeditar uma ação chamada pacto pela juventude, que foi uma estratégia que nós realizamos na campanha a prefeito em 2008. Nós vamos discutir pelo Conselho Nacional da Juventude uma plataforma para ser apresentada a todos os candidatos a presidente.

Vermelho: Quais os pontos principais dessa plataforma?
DM: O futuro presidente ou presidenta terá que ter um compromisso com a continuidade da política de juventude e com o desenvolvimento dessas políticas. Quer dizer mais investimentos nesses programas e de assegurar a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, logo no primeiro semestre de 2011. Também queremos a multiplicação dos conselhos estaduais e municipais da juventude. E que evidentemente tenha mais orçamento para essas políticas de cultura, educação e esporte. Então essa é lógica da plataforma.

De Brasília,
Iram Alfaia