Arquivo da categoria: Socialismo

Juventude latino-americana unida pela paz e pelas transformações sociais

Na semana que passou, Buenos Aires foi a capital da juventude latino-americana que luta pela paz e pelas transformações sociais. Nos dias 17 e 18 de agosto aconteceu o II Encontro de Juventude do Fóro de São Paulo (Forúm que reúne partidos políticos de esquerda de toda a América). A delegação da UJS foi composta por mim, Ticiana Alvares (Titi), Dir. de Solidariedade Internacional e presidente da UJS/RS e Augusto Chagas, presidente da UNE.

Logo na chegada a Buenos Aires me chamou atenção a força da campanha de comemoração do Bicentenário de Independência da Argentina. Por todos os lados anúncios, letreiros, cartazes, do Governo Federal e também da iniciativa privada, todos comemorando a marca histórica de 200 anos de independência e do início da construção da pátria argentina. Clique aqui para acessar o site do Bicentenário.

No primeiro dia tivemos a manhã livre e a feliz concidência de ser feriado na Argentina pela passagem dos 160 anos do falecimento de San Martin, um dos ícones da luta pela libertação da América espanhola. Aproveitamos para

conhecer alguns pontos importantes de Buenos Aires, como a Plaza de Mayo e a Casa Rosada (Sede do Governo da Argentina). No interior da Casa Rosada há

Plaza de Mayo e Casa Rosada

uma exposição interessante que reúne personagens de diferentes épocas que lutaram pela libertação e pela integração solidária de toda a América Latina. Ali encontramos quadros de Simon Bolivar, José Martí, Che Guevara, mas também de brasileiros como Tiradentes e Getúlio Vargas.

Já na atividade de instalação do Foro de  São Paulo, presenciamos uma fala de Manuel Zelaya, presidente deposto por um golpe de Estado em Honduras, onde ele relata expressamente que Lula e Celso Amorim salvaram sua vida, ao abrigá-lo com segurança na Embaixada brasileira de Tegucigalpa, enquanto o governo golpista o perseguia dentro de seu próprio país. Veja no vídeo abaixo o trecho em que ele fala de  Lula e do Brasil:

O II Encontro de Juventude Foro se realizou de forma muito exitosa. Foram mais de 40 organizações políticas vindas de 16 países da América Latina.

Brasileiros no Encontro de Juventude do Foro

Com grande unidade, a resolução final do Encontro tratou de reafirmar o apoio às transformações sociais em curso em inúmeros países da América Latina e de denunciar a situação conflituosa na Colômbia, país que persegue duramente organizações políticas de esquerda e do movimento social e que tem servido como um preposto aos interesses imperialista dos EUA no nosso continente. O documento destacou ainda a importância da eleição de Dilma Rouseff para a presidência do Brasil, para que o nosso país aprofunde as mudanças iniciadas com o Governo Lula e continue jogando importante papel no desenvolvimento

Uruguaios com Dilma

e na integração solidária da América Latina. Na plenária final do Encontro, foi grande a concorrência pelos adesivos de Dilma, e sem dúvida, é grande o apoio de toda a esquerda latino-americana para a eleição da nossa candidata. Veja a turma do Uruguai:

O II Encontro de Juventude também convocou todas as organizações presentes a ampliar a mobilização ao Festival Mundial das Juventudes Democráticas da FMJD, que acontecerá em dezembro de 2010 na África do Sul e do qual a UJS é parte da Comissão Organizadora Internacional.

Juvetude latino-americana unida triunfará! Viva o socialismo e viva a América Latina!

Anúncios

Juventude, eleições 2010 e o projeto de desenvolvimento: um impulso para as transformações no Brasil

*Publico hoje um artigo do Presidente da UJS, Marcelo Gavião. Com isso, inicío uma série de publicações de artigos sobre os desafios para juventude nas eleições de 2010. O objetivo dessa série é contribuir para o debate do Plano de Governo para juventude de nossa candidata, Dilma Roussef. Participe e dê a sua opinião.

À medida que as eleições se aproximam, acaloram-se os debates sobre candidaturas e o papel dos agentes políticos em campo na batalha.

Muito se fala, não sem razão, na necessidade de fazer as devidas comparações entre o Brasil do presente, cheio de esperanças e possibilidades a serem concretizadas, e o da década passada – um país quebrado, refém de políticas antinacionais e antissociais, que havia negociado sua soberania e colocado seus destinos em mãos alheias. Tal comparação será, sem dúvida, um dos elementos-chave do debate nacional, mas não o único.

No último período, diversos debates têm jogado luz sobre uma demanda evidente: o papel inegável do enorme contingente populacional – e eleitoral – que figura na faixa entre 16 e 24 anos. Neste universo temos 25 milhões de jovens aptos a votar, segundo o TSE.

Já se considerarmos uma faixa mais larga, a dos que figuram entre 15 e 29 anos, teremos nada menos que 52 milhões de brasileiros e brasileiras, com necessidades próprias e um olhar mais voltado para o futuro e menos suscetível a comparações com o período anterior, pois não têm na memória o descalabro dos governos de FHC. Só pra efeito de comparação, uma parte significativa dos jovens que exercerão seu direito de votar pela primeira vez agora em 2010, tinha apenas 8 anos de idade quando Lula foi eleito em 2002 e, por conta disso, não tem lembranças do atraso que foi para o Brasil, em especial para a juventude, a experiência do governo do PSDB.

Por conta disso, o desafio dos setores avançados que atuam na área é transmitir uma mensagem a partir de bandeiras políticas concretas, capaz de conquistar essa parcela. Portanto, esmerar-se em encontrar a exata medida entre valorizar o que foi feito e sinalizar as conquistas que virão com a eleição de um governo que siga e aprofunde o projeto de mudanças iniciadas no Brasil.

A expressão “continuidade” deve sempre estar ligada à necessidade de avançar, de olhar para frente, entendendo tudo que foi feito até aqui como um “alicerce” que será fundamental para que possamos dar passos mais largos e encontrar respostas para os graves problemas sociais que atingem especialmente a parcela jovem da população.

Dois eixos de atuação – embora não eliminem os demais – ganham primazia, nos dias de hoje, quando debatemos as políticas públicas de juventude: a educação e o trabalho, compreendidos em simbiose.

Mesmo com todos os avanços conquistados nos anos de governo Lula, o desemprego – ou a luta contra o subemprego – ainda continua sendo uma das principais preocupações da juventude.

Vivemos no tempo em que o acesso ao trabalho tem cada vez mais relação com a necessidade da juventude por autonomia e emancipação e isso faz com que hoje uma parte significativa da juventude no Brasil não se reconheça como estudantil e sim como trabalhadora. Nessa lógica, os jovens gastam mais tempo preocupados com o acesso imediato ao mercado de trabalho do que com a necessidade de dar continuidade aos estudos. Tudo isso diante de um quadro de altas taxas de desemprego juvenil e da precariedade das vagas disponíveis a esta parcela.

Essa realidade tem deixado o debate sobre as políticas públicas de juventude diante de duas opções aparentemente antagônicas no que se refere ao trabalho: 1) preparar o jovem para fazer a transição, procurando facilitar sua contratação e oferecer-lhe melhores oportunidades de trabalho cada vez mais cedo; 2) prolongar sua escolarização, o que segundo algumas propostas existentes – como a criação de uma “previdência juvenil” – significaria redundar em desestimular/retardar sua entrada no mercado trabalho.

Aqui no Brasil, em um primeiro momento, prevaleceram políticas cujo enfoque estava na preparação para o mercado de trabalho. Centradas em cursos de qualificação profissional e no incentivo à contratação de jovens desvinculado da escola, estas experiência marcaram principalmente as décadas passadas. Contudo, a eficácia da formação profissional, quando desvinculada da escola, sempre foi questionável, tendo esse modelo bons resultados sempre quando calçados em períodos de crescimento econômico. Momento em que o desemprego juvenil é minorado.

Num segundo momento, já durante o governo Lula, passamos a experimentar outras saídas como o Programa Nacional de Inclusão de Jovens – Projovem. Nele o governo federal buscou combinar a preparação para o mundo do trabalho e a elevação da escolaridade, delimitado inicialmente para o público entre 18 e 24 anos que não havia completado o ensino fundamental. Embora a proposta seja boa, ela tende a reforçar a perspectiva de simplesmente adiar a entrada no mercado de trabalho, caso não seja acompanhada de um conjunto de outras medidas, como a elevação da qualidade do ensino fundamental através da sua completa reformulação.

Ao longo dos anos, o ensino médio brasileiro foi perdendo seu papel e se transformando em um período escolar que, por um lado, não prepara os jovens para ter acesso de modo qualificado ao mercado de trabalho e, por outro, não apresenta a perspectiva do acesso ao ensino superior. Fruto dessa realidade, torna-se necessário um debate profundo sobre qual o papel que deverá ter o ensino médio na conjuntura atual.

Nesse sentido é bom ressaltar as iniciativas na retomada da construção de um modelo de educação profissional ligada ao ensino médio. Ao contrário das medidas adotadas pelo PSDB nos anos 90 quando, através do Decreto 2208/97, desvinculou a educação técnica da educação propedêutica, o atual governo retomou para as mãos do Estado a responsabilidade pela reconstrução do ensino técnico, enxergando nele um pilar importante para o desenvolvimento do país. Essa iniciativa rendeu ao Brasil chegar hoje a 214 escolas espalhadas por todos os cantos do território, devendo esse número crescer significativamente até o fim no ano.

Um outro ponto importante a ser abordado sobre o ensino médio é a situação do magistério. O salário do professor deve conferir a ele o valor que a sociedade lhe dá. Não será possível reformular o ensino médio sem atrair para ele os melhores profissionais – e não iremos atrair os melhores profissionais sem bons salários. E foi para dar resposta a esse problema que tivemos um avanço no último período com a criação do Piso Nacional Salarial do professor, que ainda não foi implementado e sofre uma forte resistência principalmente de governadores ligados ao PSDB.

Aqui pode estar um dos caminhos a seguir na perspectiva de encontrar mais harmonia na relação entre educação e trabalho. Essa fase de transição entre a saída da escola e a entrada no mercado de trabalho são dois dos processos fundamentais para a própria caracterização da juventude. Devem, portanto, andar lado a lado. Dessa forma, o candidato que pensar diferente disso estará em descompasso com os anseios e necessidades da juventude.

Um país que busca a consolidação de um novo projeto nacional de desenvolvimento deve enfrentar esse debate buscando desfazer essa aparente dicotomia. Devemos, sim, combinar os dois enfoques: incorporar os jovens ao mercado de trabalho ao passo em que os mesmos dão continuidade aos estudos.

Marcelo Gavião é presidente nacional da UJS – União da Juventude Socialista

Lúcia Stumpf: A nova face dos comunistas nos movimentos sociais

Depois de consolidar sua trajetória na frente estudantil, Lúcia Stumpf chega à Secretaria de Movimentos Sociais num momento crucial para os rumos da sociedade brasileira. A sete meses da disputa eleitoral, ela terá a responsabilidade de coordenar o trabalho dos comunistas nessa frente e contribuir para levar ao cotidiano da população o debate sobre a sucessão presidencial e, em especial, sobre a importância do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, defendido no Programa Socialista do PCdoB.

Lucia: o desafio de levar novo projeto nacional às massas

A chegada de Lúcia à secretaria – bem como a de outros jovens ao Comitê Central do partido – faz parte de um processo consciente de renovação iniciado há alguns anos e tornado mais nítido a partir do 12º Congresso (2009). A gaúcha de Porto Alegre tem a seu favor a larga experiência adquirida na área social. Apesar de ter apenas 28 anos, atua no movimento estudantil há mais de uma década e chegou à presidência da UNE em 2007, cargo que ocupou até o ano passado.
O foco de seu trabalho para os próximos meses é reforçar a atuação das lideranças comunistas na frente social e pautar nos debates da Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais as reformas estruturantes defendidas pelo PCdoB. “O projeto nacional de desenvolvimento, popular e democrático que os movimentos sociais estão formulando exige a aplicação de reformas estruturais no Brasil. A Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais convocada para o dia 31 de maio pretende unificar a ação dos movimentos e entidades para garantir que as eleições que se aproximam tragam conquistas e avanços para o povo”, diz Lúcia.

O sucesso nos debates na Assembleia é essencial também para buscar a unificação de bandeiras com o movimento sindical – que, um dia depois, em 1º de junho, realizará a Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat) – e, dessa forma, aumentar a pressão por mudanças sociais mais profundas.

Nesta entrevista ao Partido Vivo, Lúcia conta ainda que nos próximos meses devem ser consolidados os comitês sociais e populares de campanha, cuja missão é levar ao povo o debate eleitoral com enfoque no cotidiano. “Assim podemos ajudar a aglutinar mais força para que os brasileiros façam avançar o melhor projeto para o país”.

Partido Vivo: Você acaba de assumir a Secretaria de Movimentos Sociais do PCdoB. Quais devem ser suas prioridades na pasta?
Lúcia Stumpf: As ações da Secretaria de Movimentos Sociais na nova gestão foram pensadas com o objetivo de avançarmos no trabalho do PCdoB nesta frente em todo país. O balanço feito pela gestão cessante demonstrou que, como é muito diversificada a gama de movimentos acompanhada pelo partido, a coordenação de cada frente era difícil. Por isso, teremos coordenadores – membros do Comitê Central – que vão dirigir com mais centralidade essas diversas áreas e que estarão ligados ao Fórum Nacional de Movimentos Sociais do PCdoB.

Esse Fórum Nacional de Movimentos Sociais (FNMS) do PCdoB é o novo desafio colocado para a secretaria; ele nasce com a preocupação de aumentar as condições de o partido se articular nacionalmente e será um espaço onde pretendemos congregar todas essas lutas através de uma articulação unitária do trabalho partidário nas entidades que coordena ou onde tem influência. Em resumo, o desafio é constituir e consolidar esse fórum de movimentos sociais e garantir esse novo formato de direção mais coletivo e ampliado que possibilite uma atuação mais constante e uma formulação mais atualizada. A primeira reunião do FNMS será dia 22 e sua oficialização se dará durante o 3º Encontro Nacional de Movimentos Sociais do PCdoB, de 9 a 11 de abril em Brasília.

Partido Vivo: Você está assumindo a Secretaria num ano crucial para o país e para o projeto político do PCdoB. Como pretende casar as ações específicas da frente de movimentos sociais com a necessidade de colocar o povo nas ruas lutando pela manutenção do ciclo democrático aberto por Lula?
LS: A constituição do Fórum é uma aposta no sentido de que consigamos impulsionar os movimentos sociais na articulação dessas grandes mobilizações nacionais. Com o Fórum, poderemos manter uma atuação unitária, por exemplo, na Coordenação dos Movimentos Sociais e outros grandes espaços de atuação e fazer com que cada vez mais a gente consiga casar as agendas e os projetos construídos no Fórum das Centrais Sindicais com a CMS. Ou seja, acredito que este fórum vai nos ajudar a ter uma condução positiva nos movimentos sociais durante o processo eleitoral, de maneira que avancemos no projeto a ser encabeçado pela candidatura de Dilma Rousseff.

Ao mesmo tempo, os movimentos sociais precisam aparecer com a autonomia e a independência de quem exige mais direitos para o povo e de quem precisa fazer com que os avanços sejam ainda maiores no próximo período. Um ponto importante nesse aspecto é que os movimentos sociais aprovaram durante o último Fórum Social Mundial uma agenda de lutas que vai culminar no dia 31 de maio com a realização da Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, seguida da Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, dia 1º de junho.

Partido Vivo: Essa será a prioridade até lá…

LS: Sim. Daqui até lá, todo o nosso processo de organização se dará em torno da construção de uma grande assembleia, onde pretendemos aprovar o projeto que esperamos ser adotado pela próxima candidatura. Nesse programa, esperamos que figurem as grandes reformas estruturais que ainda não aconteceram.

Partido Vivo: Acha que houve avanços nesse último governo em relação aos movimentos sociais?
LS: Sem dúvida, houve grandes avanços sociais durante o governo Lula. Os movimentos sociais passaram a ser reconhecidos como um sujeito de diálogo com força política no país. Mas, a gente ainda não viu acontecer essas grandes reformas estruturantes, que vão garantir a democratização do Estado brasileiro e que vão empoderar o povo para que a gente possa se desenvolver como nação plena e soberana. Vamos exigir a aprovação dessas reformas nas discussões do dia 31 de maio e apresentar o projeto final à candidata de nosso campo à presidência da República. Até essa data, deve também se consolidar o processo de construção dos comitês sociais e populares de campanha para que os movimentos sociais possam participar de forma protagonista do processo eleitoral. Tais comitês serão geridos pelas entidades das mais diversas frentes sociais e levarão essas candidaturas majoritárias e proporcionais às ruas e para dentro das casas do povo brasileiro, mesmo que por fora das estruturas formais de campanha. O objetivo é que esses comitês estejam presentes no cotidiano do povo, levando o debate eleitoral para perto dele. Assim podemos ajudar a aglutinar mais força para que os brasileiros façam avançar o melhor projeto para o país.

Partido Vivo: Que reformas estruturantes são essas?
LS: Precisamos de uma reforma trabalhista que garanta mais direito aos trabalhadores; de uma reforma nos meios de comunicação para que sejam democratizados. Hoje, os movimentos sociais são frequentemente discriminados e criminalizados pela mídia. A reforma educacional é outro ponto fundamental porque ainda hoje a maioria do povo é excluída do processo de educação do Brasil. A reforma urbana, porque hoje as cidades grandes e médias sofrem um grande processo de deterioração por conta da forma de gestão que tem sido aplicada e que leva ao caos, ao crescimento desordenado; precisamos de moradia digna e de saneamento para o conjunto da população. Além de uma reforma política que garanta mais espaços de participação direta do povo nas decisões, através da instituição de plebiscitos e consultas públicas, e que democratize o acesso aos espaços institucionais com a aprovação do financiamento 100% público de campanha, a fidelidade partidária e votação em lista fechada.

Partido Vivo: Estas reformas fazem parte do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento proposto pelo PCdoB. Como as ações da secretaria se ligam a esse projeto?
LS: O Programa Socialista aprovado no 12º Congresso nos colocou um grande desafio: conseguir, no próximo período, uma inter-relação entre as três esferas de atuação política – institucional, social e de luta de ideias – que deve ser elevada ao status de fundamento, pois com ela faremos avançar o processo que nos levará ao socialismo. É necessário unificar e politizar a atuação do movimento social para que a gente garanta o avanço do Novo Projeto. Portanto, um dos desafios da Secretaria nos próximos quatro anos é conseguir traduzir e disseminar o NPND entre o movimento social brasileiro. Precisamos fazer com que ele esteja no dia a dia de lutas, que as conquistas que buscamos sejam entendidas como parte desse projeto de desenvolvimento. O Fórum do PCdoB será imprescindível no sentido de fazer com que os movimentos compreendam suas conquistas específicas – muitas vezes entendidas como corporativas – como parte dessa construção maior que é o NPND. Avançar na conexão entre essas bandeiras peculiares e o NPND será um marco deste período. Dessa forma, faremos nossa proposta chegar à população.

Partido Vivo: Essa ligação entre partido e movimentos sociais muitas vezes é criticada…
LS: O PCdoB tem histórico de atuação e de respeito à autonomia dos movimentos sociais. O partido sempre fez com que seus quadros atuantes nessa área fossem dirigidos pelo partido e seguissem seus preceitos, mas entendendo que cada entidade tem sua dinâmica e sua independência, que devem ser asseguradas. As entidades que são dirigidas por pessoas do PCdoB ou que têm participação expressiva de comunistas contam com seus próprios fóruns de deliberação fora da estrutura do partido. O PCdoB entende que a independência é uma das grandes riquezas dos movimentos sociais; é o que possibilita força e amplo diálogo.

Partido Vivo: O que você destaca como pontos fortes e fracos do PCdoB nos movimentos sociais?
LS: O aspecto negativo foi justamente a falta de especialização de nossos quadros na direção de cada frente específica, dificuldade esta que tivemos devido à grande gama de temas que o PCdoB abarca. Como aspecto positivo, destaco justamente o entendimento que o PCdoB tem no que diz respeito à autonomia e à necessidade de unidade dos movimentos sociais. Precisamos que, cada vez mais, a Coordenação dos Movimentos Sociais seja o grande espaço de atuação unitária, de aglutinação de forças do povo na busca por mais avanços, por direitos sociais e pelo Brasil. Precisamos aumentar a nossa atuação e contribuir para que as ações da CMS estejam cada vez mais casadas com as do Fórum das Centrais Sindicais. Além disso, é necessário garantir um acompanhamento mais coletivo do nosso trabalho através das nossas coordenações recém-criadas que será dado pelo Fórum Nacional de Movimentos Sociais do partido.

Da redação,
Priscila Lobregatte

Fonte: http://pcdob.org.br

08 de março, juventude feminina na política e no poder

Em homenagem ao dia internacional das mulheres, reproduzo abaixo a entrevista da Diretora de mulheres da UJS, Mariana Venturini, concedida ao site da UJS.

Neste 8 de março, em comemoração aos festejos do centenário da data, as jovens socialistas lançarão a marca UJS-Mulher. Segundo Mariana Venturini, diretora de jovens mulheres, estamos num momento em que “o conjunto da UJS chama para si o debate acerca da emancipação da mulher como parte estruturante do próprio socialismo”. Leia a entrevista e baixe o panfleto da UJS para o Dia Internacional da Mulher. Veja ainda a ficha de filiação e o adesivo alusivos ao 8 de março.

Site da UJS: Neste 8 de março é comemorado o centenário da oficialização da data como dia internacional da mulher. Neste período, qual você elencaria como a principal conquista da mulher na realidade brasileira?

Mariana Venturini: Sem dúvidas a igualdade jurídica entre homens e mulheres. Até a promulgação da Constituição Cidadã, em 1988, ou seja, há pouquíssimo tempo em termos históricos, as leis vigentes legitimavam a supremacia masculina. Para se ter uma ideia, o marido tinha o direito de proibir a mulher de trabalhar fora.

Com a nova Constituição e o novo Código Civil isso se extinguiu. Agora o desafio é promover a igualdade também na vida, para além da igualdade jurídica formal. E derrubar a última barreira legal à emancipação da mulher — a criminalização do aborto.

Site da UJS: E nos últimos anos, sob o governo Lula, qual a principal marca de avanço?

Mariana Venturini: A criação da Secretaria Especial de Políticas Para as Mulheres – SPM (que será alçada ao status de ministério neste dia 8 de Março) é uma importante sinalização do poder público brasileiro ao reconhecer que existe um problema real que está colocado na sociedade: a desigualdade entre homens e mulheres. Antes de Lula, a postura era de tratar como se fosse um “desnível natural” entre os sexos e não uma diferença construída social e historicamente e que, como tal, tem solução.

O governo Lula, permeável aos movimentos sociais, foi o mais sensível às questões das mulheres até então. Criou a SPM, realizou duas conferências nacionais de políticas para as mulheres — com ampla participação da sociedade civil — e promulgou a Lei Maria da Penha, que criminaliza a violência doméstica, para citar as ações específicas.

Além delas, há também todas as políticas sociais do governo como o Luz para Todos, Bolsa-Família etc. Existem pesquisas indicando que elas beneficiam especialmente as mulheres de baixa renda. Esses programas têm impacto direto na subjetividade dessas mulheres, dando-lhes uma noção de cidadania que elas nunca haviam experimentado.

No que tange as jovens mulheres, o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, que distribui preservativos nas escolas, precisa ser significativamente ampliado, mas já é uma iniciativa.

Site da UJS: Quais os principais problemas enfrentados pelas jovens mulheres brasileiras hoje?

Mariana Venturini: A criminalização do aborto deixa o trágico número de 250 mil internações no SUS anualmente. Há jovens morrendo. Há meninas perdendo o útero em procedimentos inseguros. Então defendemos a legalização do aborto, que venha também acompanhada de educação sexual nas escolas e acesso universal aos métodos contraceptivos.

Também a questão da valorização do trabalho da jovem mulher e a participação nos espaços de poder são centrais nesta discussão. Sem poder político, nem toda a boa vontade do mundo muda alguma coisa. É o que nós chamamos de “empoderamento” das mulheres no movimento feminista. E vemos que, como segmento social, nós jovens mulheres estamos ainda muito longe deste empoderamento.

Site da UJS: A UJS, neste 8 de Março, lança a UJS-Mulher. Como você acha que isso pode resultar num salto da atuação da UJS no movimento feminista?

Mariana Venturini: Sinto que há uma maior noção de pertencimento por parte das nossas militantes com relação ao debate emancipacionista, antes mais restrito às meninas cuja atuação era exclusivamente no movimento de mulheres. E essa marca vem coroar esse novo momento da nossa organização, no qual o conjunto da UJS chama para si o debate acerca da emancipação da mulher como parte estruturante do próprio socialismo, desdobrando a sua atuação para além do movimento feminista estrito e ganhando mais espaço nos demais movimentos em que a UJS atua. O que é justíssimo, uma vez que em todos eles há mulheres e em todos eles há discriminação — em maior ou menor grau — da mulher.

Essa nova compreensão se materializa numa maior sinergia da frente de jovens mulheres com as demais frentes (estudantil, jovens cientistas etc): é o que chamamos de transversalidade. E essa marca traduz exatamente isso. É a valorização da militância feminina da UJS elevada a um outro patamar, o que certamente nos trará bons frutos já para o período próximo, com nosso 15º Congresso se aproximando.

De São Paulo,

Fernando Borgonovi

“Juntar via internet…”

Apesar de estar apenas começando, este Blog já deus seus primeiros passos na direção de sua idéia fundadora, inspirada na música de Gilberto Gil: “eu quero entrar na rede, promover um debate, juntar via internet…”

Quero agradecer a turma que ajudou a divulgar este espaço no twitter e também aos que já passarm por aqui, só ontem foram mais de 100 visitas. Agora quero agradecer especialmente ao amigo e camarada de muitas lutas Ramom Fonseca e ao companheiro da juventude do PT, Leopoldo Vieira. Ambos dedicaram um post recomendando o juventudenarede em seus respectivos blog´s, clique aqui para ver: http://ramonjrfonseca.blogspot.com e http://juventudeempauta.blogspot.com

Como diz a rapaziada do Hip-hop, “tamo junto e misturado” para fazer também da trincheira virtual um importante espaço da luta da juventude em defesa do Brasil e do socialismo.

Datafolha: mulheres e jovens ainda são desafio para Dilma

Reproduzo abaixo matéria publicada neste domingo no vermelho.org.br sobre um recorte de gênero e idade da pesquisa Datafolha.

Antes disso, chamo a atenção para duas questões relacionadas à juventude e as eleições:

1- Uma parcela considerável dos jovens irá votar pela primeira vez para presidente da república. Dentre estes, muitos possuiam apenas 8 anos de idade quando Lula foi eleito Presidente em 2002. Para essa faixa de jovens (que na minha opinião vai dos 16 aos 20 anos), só o discurso da comparação de projetos (Era Lula X Era FHC) não basta. Eles nasceram e cresceram num novo Brasil, esperam mais propostas para o seu futuro e o futuro do nosso país.

2- Entretanto, essa nova geração da juventude não admitirá retrocessos e isso abre para as forças progressistas um terreno muito fértil. Essa galera virou da adolescência para a juventude assistindo o Brasil descobrir o Pré-Sal, criando milhares de vagas em universidades federais e no Prouni, sem falar na realização do sonho do nosso país sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Dai eu pergunto, o que é mesmo que o Tucanato tem a oferecer para a juventude? Temos uma oportunidade é um desafio gigantesco em 2010, as pesquisas mostram o crescimento de Dilma, mas Serra ainda lidera com mais folga entre os jovens. Conquistar essa nova geração para o aprofundamento das mudanças é a senha e o caminho para um futuro de conquistas e prosperidade para a juventude e para todo o povo brasileiro.

A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (28) no jornal Folha de S.Paulo mostra que a campanha de Dilma Rosseff deverá direcionar especial atenção para as mulheres, para os jovens de 16 a 24 anos e eleitores com escolaridade fundamental.

No caso da intenção de voto do sexo feminino, Serra recebeu 34% das intenções de voto, enquanto Dilma recebeu 24%.

No caso dos jovens entre 16 e 24 anos, Serra recebeu 38% das intenções de voto, enquanto Dilma recebeu 28%.

No caso dos eleitores com escolaridade fundamental, Serra recebeu 31% das intenções de voto, enquanto Dilma recebeu 26%.

Tais resultados mostram, também, que o potencial de crescimento de Dilma é previsível, visto que:

– sendo candidata mulher poderá, na campanha, ter melhor e maior comunicação com o eleitorado feminino;

– jovens entre 16 e 24 anos tendem a encarar o tema eleições nas proximidades das mesmas e são uma população que recebe atenção especial do governo federal;

– eleitores com escolaridade fundamental tendem a ser menos informados por meios de comunicação, tendem a encarar o tema eleições nas proximidades das mesmas e, claramente, compõem uma população que recebe atenção especial do governo.

Observem os dados abaixo (por Clovis Campos, no blog do Nassif):

DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA

De 16 a 24 anos

Serra -38%
Dilma – 28%
Ciro -10%
Marina -8%

De 25 a 34 anos
Serra – 33%
Dilma – 29%
Ciro – 15%
Marina – 8%

De 35 a 44 anos
Serra – 32%
Dilma – 29%
Ciro – 12%
Marina – 9%

De 45 a 59 anos

Dilma – 29%
Serra – 26%
Ciro – 14%
Marina – 10%

60 ou mais
Serra – 31%
Dilma – 24%
Ciro – 12%
Marina – 6%

DISTRIBUIÇÃO POR GÊNERO

Mulheres
Serra – 33%
Dilma – 24%
Ciro – 12%
Marina – 9%

Homens
Serra – 32%
Dilma – 32%
Ciro – 13%
Marina – 8%

DISTRIBUIÇÃO POR ESCOLARIDADE
Fundamental
Serra – 31%
Dilma – 26%
Ciro – 12%
Marina – 7%

Médio
Serra – 33%
Dilma – 30%
Ciro – 13%
Marina – 9%

Superior
Serra – 36%
Dilma – 29%
Marina –13%
Ciro – 10%

Colaborou: Marcos Verlaine, com agências

Fonte: http://www.vermelho.org.br