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Ibope aponta liderança de Dilma entre a juventude

A nova pesquisa Ibope, que aponta Dilma com 39% e Serra com 34%, revela que a nossa candidata avança na conquista do voto da juventude.

*Por Leopoldo Vieira

Na espontânea, entre 16 a 24 anos, Dilma já aparece com 24%, a segunda maior intenção de voto por faixa etária na pesquisa, e só 17% lembraram de Serra. Entre 24 e 29 anos, Dilma tem a maior intenção de voto espontânea por idade, com 32%, e Serra com reles 16%.
Na estimulada, de 16 a 24, 39% dos jovens preferem Dilma, contra 37% de Serra. No Datafolha de maio, Serra ainda liderava nesse público com 3 pontos de vantagem. Mas precisamos intensificar a campanha neste grupo, pois entre 24 a 29 anos, Dilma já dispara com 44% contra 32% do tucano.

Segundo turno
Retrato da necessidade de intensificar o diálogo com os jovens de 16 a 24 anos, que estão justamente na área dos que não tem lembranças (ou estas são pouco claras) da Era FHC, é que que na projeção de 2o turno Dilma e Serra aparecem empatados com 45% das intenções de voto.
Isso também não quer dizer que haja uma situação preocupante, ampliar lá pode ser decisivo para a vitória e, pelo balanço da política nacional de juventude, temos condições amplamente favoráveis para isso.
Já entre a juventude de 24 a 29 anos, Dilma detona Serra com 57%. O candidato do PSDB, do “ministério do extermínio e do encarceramento”, que quer vincular o Bolsa-Família ao trabalho precoce e não à conclusão do ensino médio e que cortou recursos do Agente Jovem em SP, recusando também verbas do MEC para ampliar a rede de escolas técnicas, crava só 37%.
O ciclo de boas notícias fecha com as respostas sobre quem os jovens acham que será o novo presidente do Brasil: entre 16 a 24, 44% acham que será Dilma e 36% Serra. E nos gloriosos 25 a 29 anos, 45% acreditam em Dilma e 29% no PSDBista.

Otimismo: fruto do que plantamos
Os números permitem concluir também que existe uma clara vinculação deles com o momento de prosperidade econômica e social do Brasil e que as PPJs deram sim muito certo (lembrem da pesquisa sobre a aprovação do ProJovem).
Entre 16 a 24 anos, 82% dos jovens estão satisfeitos com a vida que levam hoje, sendo que 12% estão muito satisfeitos, maior índice entre as faixas etárias. Já entre 24 a 29 anos, 84% estão satisfeitos, sendo 74% satisfeitos, maior índice etário também.
A juventude brasileira não quer retrocessos, parte ainda está confusa por não lembrar do passado, mas a ampla maioria deseja que o Brasil siga mudando.

*Publicado por Leopldo Vieira, do Blog Juventude em Pauta!

UJS com Dilma, pra ser muito mais Brasil!

Com muito otimismo e disposição para a luta, mais de 1500 militantes da União da Juventude Socialista ocuparam entre os dias 17 e 20 de junho as dependências do Centro de Convenções de Salvador/BA, para a realização do 15º Congresso Nacional da UJS. O Congresso é resultado de um grande processo de mobilização e debate que contagiou os quatro cantos do país. Foram mais de quatro meses de muita divulgação das nossas idéias em passeatas, plenárias, nas praças e nas ruas do Brasil.

Mesa de abertura do 15º Congresso da UJS

Realizamos nesse período 27 Congressos Estaduais e mais de 300 Congressos municipais, que mobilizaram cerca de 100 mil filiados, resultando em mais de 50 mil participantes na Rede UJS.

Ousadia para inovar e para aprofundar as mudanças no Brasil. Essa foi a marca do congresso. Inovamos ao criar uma Rede Social própria, que já nasce com mais de 50 mil cadastrados e mais de dois mil perfis ativados. Uma ferramenta de organização interna e de mobilização política da juventude na importante trincheira do mundo virtual. Nosso Congresso foi transmitido ao vivo pelo sítio da UJS (www.ujs.org.br), nos principais debates e plenárias estavam conectados mais de mil pessoas, do Brasil e do mundo. Entre um debate e outro, rolava sempre um “free style” com a rapaziada do hip-hop. Com mais de 20 computadores plugados na internet a galera passava o recado do que estava rolando no Congresso para seus amigos do Orkut, do twitter e da Rede UJS. O Congresso inovou também ao realizar a 1ª Mostra Científica da UJS. Duas dezenas de trabalhos nas mais variadas áreas foram apresentados e no final foi constituído o coletivo nacional de Jovens Cientistas da UJS.

Um dos objetivos do Congresso era eleger a nova Direção Nacional da UJS. Marcamos um belo gol de placa nesse quesito: somos ao total um coletivo dirigente com 79 membros titulares e 12 suplentes, com mais de 35% de mulheres e uma média de idade de 24 anos. Participam da nova Direção representantes dos 27 estados brasileiros, jovens lideranças que atuam nas mais variadas frentes: trabalhadores, como o Thiago Santana, de Minas Gerais, que é operador de telemarketing e diretor do Sinttel-MG (Sindicato dos trabalhadores em telefonia de MG); lideranças do movimento estudantil, como Augusto Chagas, presidente da UNE e Yan Evanovich, presidente da UBES; jovens mulheres e cientistas, entre elas Elisângela Lizardo, presidente da ANPG – Associação Nacional dos Pós-graduandos- e mestranda na PUC-SP e Luisa Barbosa, doutoranda em História na UFRJ. Também joga nesse time a jovem Deputada Federal Manuela D´ávila (PCdoB-RS), que além der ser uma grande parlamentar é membro da nova Direção Nacional da UJS. Nas direções estaduais, 11 mulheres presidem nossa organização. É com essa seleção que vamos mobilizar toda a juventude para jogar no time do aprofundamento das mudanças no Brasil.

Saímos desse 15º Congresso mais conectados com a juventude, pois reunimos na UJS ao mesmo tempo diversidade e unidade. O papel fundamental que queremos cumprir é o de canalizar toda rebeldia da juventude para transformar em mobilizações amplas e politizadas, em defesa do Brasil, e do socialismo. Reunimos hoje jovens de várias frentes de atuação: meio-ambiente, LGBT, jovens trabalhadores, do movimento estudantil, hip-hop, entre outras, mas mesmo nessa diversidade de pautas e bandeiras não perdemos o ponto chave que nos unifica, que é a luta em defesa do Brasil e do socialismo. A UJS está se preparando para avançar junto como esse novo ciclo político iniciado com o Governo Lula. Está pronta para crescer ainda mais para aproveitar todas as oportunidades que esse momento oferece. O Brasil tem hoje mais de 50 milhões de jovens. É ilusão pensar um processo de mudanças sem a participação ativa da juventude e a UJS estará liderando esse processo.

A idéia-força do Congresso é de que é preciso transformar todo otimismo que toma conta do Brasil em capacidade de luta e mobilização. Nunca vivemos um período em que o Brasil tivesse tantas possibilidades de dar certo e queremos aproveitar todas elas. Nesse sentido, aprovamos como bandeiras prioritárias: a luta pela destinação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, o esforço para construir um grande legado esportivo para a juventude relacionado à realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas e a construção de um sistema nacional de juventude, que passe pela aprovação de projetos que consolidam as Políticas Públicas de Juventude como políticas de Estado.

Militantes da UJS/RS com Dilma.

A UJS tem um grande compromisso com o Brasil e com o futuro da juventude, por isso, aprovamos por unanimidade o apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Para que os ventos continuem a soprar na direção do aprofundamento das mudanças, levaremos aos quatro cantos do país a bandeira da eleição de Dilma para a Presidência da República. Nos oito anos de governo Lula a juventude reencontrou a esperança de viver num país que pode dar certo. Milhões de empregos foram criados, o Prouni possibilitou o acesso à universidade a milhares de jovens que já tinham abandonado esse sonho, e a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil é uma conquista que pode transformar o esporte numa grande ferramenta oportunidades para a juventude.

Para nós, eleger Dilma significa renovar essa esperança na certeza de que podemos conquistar ainda mais. Vamos impedir o retrocesso e derrotar José Serra, o “Exterminador do futuro” da juventude. A UJS com seus mais de 100 mil filiados espalhados no Brasil não medirá esforços para enfrentar essa batalha e temos a convicção que seremos vitoriosos.

PPJ:#soltaessa

*Por Luisa Barbosa
De fato não deveria ser assim, mas, infelizmente, falar de Políticas Públicas de Juventude (a tal PPJ) ainda é novidade para a maioria dos jovens. Para nós da União da Juventude Socialista – que protagonizamos na prática esse debate desde 1984 – o desafio é ainda maior! Ser uma organização de juventude que coloca como centro a construção de uma nova sociedade passa necessariamente pela ampliação das Políticas Públicas de/para/com a Juventude, setor mais maltratado da sociedade brasileira e que mais luta por mudanças significativas.

PEC da juventude precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional

No Rio de Janeiro a situação do jovem é ainda mais cruel. Dos 20 municípios com maior incidência de jovens e adolescentes com morte por homicídio, três estão no Estado do Rio. A cidade do Rio de Janeiro é ainda a quarta capital com maior índice de mortes esperadas por homicídios na faixa etária de 12 a 19 anos.

Essa triste realidade reflete a necessidade de investir-se cada vez mais em PPJ, levando em conta o que precisa e o que quer o jovem do Rio de Janeiro.

Mas o que é essa tal de PPJ?

Vamos por partes: Política pública é toda a política de Estado voltada para sanar os problemas sociais e visa diretamente os direitos dos cidadãos/as.

Já política pública de juventude, é a política de Estado voltada para essa parcela específica da sociedade.

Quando falamos de/para/com é pra destacar que a política pública de juventude deve necessariamente ter como foco o/a jovem e principalmente ouvi-lo/a, entendendo-o/a como agente ativo/a da sociedade! E não apenas receptor/a.

No Rio de Janeiro tivemos experiências concretas de implementação de Políticas de/para/com a Juventude, onde a UJS-RJ foi principal articuladora. A aprovação do passe-livre no Rio de Janeiro, em Petrópolis e em Campos – conquistadas através de grandes mobilizações da AMES, APE e FEC; e a conquista da Reserva de Vagas na UERJ, aprovada quando fazíamos parte da Coordenadoria Estadual de Juventude e também da AMES, são exemplos emblemáticos de Políticas Públicas que beneficiam atualmente milhares de jovens de nosso Estado e que tiveram os próprios jovens como principais articuladores.

E a juventude?

Atualmente as reflexões sobre a juventude tem sido constantes. Não à toa o ano de 2010 foi eleito como o Ano da Juventude pela Organização das Nações Unidas (ONU), mas no Brasil temos um elemento que nos dá ainda maior destaque: atualmente estima-se que um quarto da população
brasileira tem entre 15 e 29 anos, o correspondente a cerca de 50,2 milhões de pessoas, ou seja, 26,9% da população. Isso faz da juventude a parcela etária mais representativa!

#Soltaessa

A conclusão desse assunto é a seguinte: não existe melhor momento para avançarmos. A visibilidade que esse debate tem tido na sociedade e na esfera pública é reflexo da importância da juventude para o presente!

Contudo, muito ainda tem que ser feito. Na eleição presidencial @dilmabr já mostrou que o centro de sua campanha será os/as jovens.

Feras de todo o Brasil também querem interferir e conquistar políticas públicas de/para/com a juventude.

*Luisa Barbosa Pereira é doutoranda em Sociologia pela UFRJ, consultora da UNESCO na area Juventude e da Direção Nacional da UJS.

Publicado também no site da UJS

Juventude, eleições 2010 e o projeto de desenvolvimento: um impulso para as transformações no Brasil

*Publico hoje um artigo do Presidente da UJS, Marcelo Gavião. Com isso, inicío uma série de publicações de artigos sobre os desafios para juventude nas eleições de 2010. O objetivo dessa série é contribuir para o debate do Plano de Governo para juventude de nossa candidata, Dilma Roussef. Participe e dê a sua opinião.

À medida que as eleições se aproximam, acaloram-se os debates sobre candidaturas e o papel dos agentes políticos em campo na batalha.

Muito se fala, não sem razão, na necessidade de fazer as devidas comparações entre o Brasil do presente, cheio de esperanças e possibilidades a serem concretizadas, e o da década passada – um país quebrado, refém de políticas antinacionais e antissociais, que havia negociado sua soberania e colocado seus destinos em mãos alheias. Tal comparação será, sem dúvida, um dos elementos-chave do debate nacional, mas não o único.

No último período, diversos debates têm jogado luz sobre uma demanda evidente: o papel inegável do enorme contingente populacional – e eleitoral – que figura na faixa entre 16 e 24 anos. Neste universo temos 25 milhões de jovens aptos a votar, segundo o TSE.

Já se considerarmos uma faixa mais larga, a dos que figuram entre 15 e 29 anos, teremos nada menos que 52 milhões de brasileiros e brasileiras, com necessidades próprias e um olhar mais voltado para o futuro e menos suscetível a comparações com o período anterior, pois não têm na memória o descalabro dos governos de FHC. Só pra efeito de comparação, uma parte significativa dos jovens que exercerão seu direito de votar pela primeira vez agora em 2010, tinha apenas 8 anos de idade quando Lula foi eleito em 2002 e, por conta disso, não tem lembranças do atraso que foi para o Brasil, em especial para a juventude, a experiência do governo do PSDB.

Por conta disso, o desafio dos setores avançados que atuam na área é transmitir uma mensagem a partir de bandeiras políticas concretas, capaz de conquistar essa parcela. Portanto, esmerar-se em encontrar a exata medida entre valorizar o que foi feito e sinalizar as conquistas que virão com a eleição de um governo que siga e aprofunde o projeto de mudanças iniciadas no Brasil.

A expressão “continuidade” deve sempre estar ligada à necessidade de avançar, de olhar para frente, entendendo tudo que foi feito até aqui como um “alicerce” que será fundamental para que possamos dar passos mais largos e encontrar respostas para os graves problemas sociais que atingem especialmente a parcela jovem da população.

Dois eixos de atuação – embora não eliminem os demais – ganham primazia, nos dias de hoje, quando debatemos as políticas públicas de juventude: a educação e o trabalho, compreendidos em simbiose.

Mesmo com todos os avanços conquistados nos anos de governo Lula, o desemprego – ou a luta contra o subemprego – ainda continua sendo uma das principais preocupações da juventude.

Vivemos no tempo em que o acesso ao trabalho tem cada vez mais relação com a necessidade da juventude por autonomia e emancipação e isso faz com que hoje uma parte significativa da juventude no Brasil não se reconheça como estudantil e sim como trabalhadora. Nessa lógica, os jovens gastam mais tempo preocupados com o acesso imediato ao mercado de trabalho do que com a necessidade de dar continuidade aos estudos. Tudo isso diante de um quadro de altas taxas de desemprego juvenil e da precariedade das vagas disponíveis a esta parcela.

Essa realidade tem deixado o debate sobre as políticas públicas de juventude diante de duas opções aparentemente antagônicas no que se refere ao trabalho: 1) preparar o jovem para fazer a transição, procurando facilitar sua contratação e oferecer-lhe melhores oportunidades de trabalho cada vez mais cedo; 2) prolongar sua escolarização, o que segundo algumas propostas existentes – como a criação de uma “previdência juvenil” – significaria redundar em desestimular/retardar sua entrada no mercado trabalho.

Aqui no Brasil, em um primeiro momento, prevaleceram políticas cujo enfoque estava na preparação para o mercado de trabalho. Centradas em cursos de qualificação profissional e no incentivo à contratação de jovens desvinculado da escola, estas experiência marcaram principalmente as décadas passadas. Contudo, a eficácia da formação profissional, quando desvinculada da escola, sempre foi questionável, tendo esse modelo bons resultados sempre quando calçados em períodos de crescimento econômico. Momento em que o desemprego juvenil é minorado.

Num segundo momento, já durante o governo Lula, passamos a experimentar outras saídas como o Programa Nacional de Inclusão de Jovens – Projovem. Nele o governo federal buscou combinar a preparação para o mundo do trabalho e a elevação da escolaridade, delimitado inicialmente para o público entre 18 e 24 anos que não havia completado o ensino fundamental. Embora a proposta seja boa, ela tende a reforçar a perspectiva de simplesmente adiar a entrada no mercado de trabalho, caso não seja acompanhada de um conjunto de outras medidas, como a elevação da qualidade do ensino fundamental através da sua completa reformulação.

Ao longo dos anos, o ensino médio brasileiro foi perdendo seu papel e se transformando em um período escolar que, por um lado, não prepara os jovens para ter acesso de modo qualificado ao mercado de trabalho e, por outro, não apresenta a perspectiva do acesso ao ensino superior. Fruto dessa realidade, torna-se necessário um debate profundo sobre qual o papel que deverá ter o ensino médio na conjuntura atual.

Nesse sentido é bom ressaltar as iniciativas na retomada da construção de um modelo de educação profissional ligada ao ensino médio. Ao contrário das medidas adotadas pelo PSDB nos anos 90 quando, através do Decreto 2208/97, desvinculou a educação técnica da educação propedêutica, o atual governo retomou para as mãos do Estado a responsabilidade pela reconstrução do ensino técnico, enxergando nele um pilar importante para o desenvolvimento do país. Essa iniciativa rendeu ao Brasil chegar hoje a 214 escolas espalhadas por todos os cantos do território, devendo esse número crescer significativamente até o fim no ano.

Um outro ponto importante a ser abordado sobre o ensino médio é a situação do magistério. O salário do professor deve conferir a ele o valor que a sociedade lhe dá. Não será possível reformular o ensino médio sem atrair para ele os melhores profissionais – e não iremos atrair os melhores profissionais sem bons salários. E foi para dar resposta a esse problema que tivemos um avanço no último período com a criação do Piso Nacional Salarial do professor, que ainda não foi implementado e sofre uma forte resistência principalmente de governadores ligados ao PSDB.

Aqui pode estar um dos caminhos a seguir na perspectiva de encontrar mais harmonia na relação entre educação e trabalho. Essa fase de transição entre a saída da escola e a entrada no mercado de trabalho são dois dos processos fundamentais para a própria caracterização da juventude. Devem, portanto, andar lado a lado. Dessa forma, o candidato que pensar diferente disso estará em descompasso com os anseios e necessidades da juventude.

Um país que busca a consolidação de um novo projeto nacional de desenvolvimento deve enfrentar esse debate buscando desfazer essa aparente dicotomia. Devemos, sim, combinar os dois enfoques: incorporar os jovens ao mercado de trabalho ao passo em que os mesmos dão continuidade aos estudos.

Marcelo Gavião é presidente nacional da UJS – União da Juventude Socialista

A UNE, o Estadão e o bilhete de metrô usado

Plenária final do 58º Coneg da UNE

Participei no último final de semana do 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE, realizado na cidade do Rio de Janeiro. Estiveram por lá estudantes de todo país, representantes dos DCE´s das maiores universidades brasileiras. Foram cerca de 220 entidades credenciadas e mais de 500 estudantes participando.

A pauta principal deste tradicional fórum do movimento estudantil era definir o posicionamento da UNE frente ao processo eleitoral de outubro próximo, o principal acontecimento do ano no país. Criou-se uma grande expectativa, principalmente por parte da grande mídia, de que a UNE declarasse desde já o apoio a algum candidato, ou mesmo que orientasse o voto dos estudantes contra determinado candidato. Falando português claro: a pauta dos jornalões apregoava que a UNE apoiaria Dilma ou repudiaria Serra.

Porém, para insatisfação de alguns poucos, prevaleceu mais uma vez a sabedoria da septuagenária entidade, para quem o mais importante para esse momento é apresentar aos candidatos e à sociedade uma plataforma de reivindicações concretas, o Projeto UNE Brasil. Propostas aprovadas e que merecem destaque: aplicação de 50% do Fundo Social do Pré-sal para Educação, desenvolvimento com geração de empregos e distribuição de renda, defesa da cultura e dos direitos da juventude e a uma decisão firme de conclamar os estudantes a combater a criminalização dos movimentos sociais e o retrocesso com possibilidade da volta do neoliberalismo e das privatizações ao poder central da república. (Clique aqui para ler a íntegra do texto aprovado).

A proposta vencedora foi apoiada por mais de 80% dos delegados presentes, o que lhe confere grande representatividade e legitimidade perante os estudantes. Mas não é o que pensa o jornal O Estado de São Paulo. O autodenominado “Estadão” dedicou seu editorial do último domingo a sentenciar qual seria o ‘valor da UNE’. Ao estilo “Ditabranda”, termo recentemente utilizado pela Folha de São Paulo em referencia ao período da ditadura militar no Brasil, o Estadão desferiu um ataque voraz ao projeto de lei que tramita no Senado e que estipula que a União deve indenizar a UNE por ter invadido, incendiado e mais tarde demolido o prédio que abrigava a sede nacional dos estudantes no histórico endereço da Praia do Flamengo, nº 132. O incêndio da sede foi o primeiro ato do golpe militar de, na madrugada de 1º de abril de 1964. Já a demolição foi obra do governo de Figueredo, o último militar a governar o país, no inicio da década de 80. Ou seja, a ditadura, do início ao fim, tinha obstinação em destruir a UNE.

O projeto é aprovado por todos os líderes partidários, da Câmara e do Senado, da oposição de da situação, têm o apoio do DEM ao PSOL, foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado em todas as Comissões pelo qual passou até o momento.

A democracia só tem valor para quem sofreu com a ausência dela. A UNE foi duramente perseguida pela ditadura, um de seus presidentes, o goiano Honestino Guimarães, foi morto pelos militares. A reconstrução da sede da UNE significa colocar uma pá de cal nesse período deplorável da história brasileira, reerguer a sede da UNE é acima de tudo construir um forte símbolo da vitória da democracia, talvez seja isso que incomode tanto o ‘Estadão’.

O editorial costuma ser um espaço privilegiado de um veículo impresso. Ele expressa a opinião dos donos do jornal sobre temas relevantes para a vida pública. Ao sentenciar no editorial que o posicionamento da UNE não vale um bilhete de metrô usado o “Estadão” gasta um espaço caro de seu jornal para falar de algo que teoricamente não teria valor algum para ninguém. Ou seja, o que não vale nada é o próprio editorial. Em que pese o bilhete de metrô custar quase R$ 3,00 por viagem realizada, ninguém sai por ai rasgando bilhete à toa. Os ataques do “Estadão” tem alvo certo. Em linguajar popular ninguém bate em cachorro morto, e a UNE está mais viva do nunca!

Clique aqui para ler o editorial do “Estadão”.

Lúcia Stumpf: A nova face dos comunistas nos movimentos sociais

Depois de consolidar sua trajetória na frente estudantil, Lúcia Stumpf chega à Secretaria de Movimentos Sociais num momento crucial para os rumos da sociedade brasileira. A sete meses da disputa eleitoral, ela terá a responsabilidade de coordenar o trabalho dos comunistas nessa frente e contribuir para levar ao cotidiano da população o debate sobre a sucessão presidencial e, em especial, sobre a importância do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, defendido no Programa Socialista do PCdoB.

Lucia: o desafio de levar novo projeto nacional às massas

A chegada de Lúcia à secretaria – bem como a de outros jovens ao Comitê Central do partido – faz parte de um processo consciente de renovação iniciado há alguns anos e tornado mais nítido a partir do 12º Congresso (2009). A gaúcha de Porto Alegre tem a seu favor a larga experiência adquirida na área social. Apesar de ter apenas 28 anos, atua no movimento estudantil há mais de uma década e chegou à presidência da UNE em 2007, cargo que ocupou até o ano passado.
O foco de seu trabalho para os próximos meses é reforçar a atuação das lideranças comunistas na frente social e pautar nos debates da Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais as reformas estruturantes defendidas pelo PCdoB. “O projeto nacional de desenvolvimento, popular e democrático que os movimentos sociais estão formulando exige a aplicação de reformas estruturais no Brasil. A Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais convocada para o dia 31 de maio pretende unificar a ação dos movimentos e entidades para garantir que as eleições que se aproximam tragam conquistas e avanços para o povo”, diz Lúcia.

O sucesso nos debates na Assembleia é essencial também para buscar a unificação de bandeiras com o movimento sindical – que, um dia depois, em 1º de junho, realizará a Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat) – e, dessa forma, aumentar a pressão por mudanças sociais mais profundas.

Nesta entrevista ao Partido Vivo, Lúcia conta ainda que nos próximos meses devem ser consolidados os comitês sociais e populares de campanha, cuja missão é levar ao povo o debate eleitoral com enfoque no cotidiano. “Assim podemos ajudar a aglutinar mais força para que os brasileiros façam avançar o melhor projeto para o país”.

Partido Vivo: Você acaba de assumir a Secretaria de Movimentos Sociais do PCdoB. Quais devem ser suas prioridades na pasta?
Lúcia Stumpf: As ações da Secretaria de Movimentos Sociais na nova gestão foram pensadas com o objetivo de avançarmos no trabalho do PCdoB nesta frente em todo país. O balanço feito pela gestão cessante demonstrou que, como é muito diversificada a gama de movimentos acompanhada pelo partido, a coordenação de cada frente era difícil. Por isso, teremos coordenadores – membros do Comitê Central – que vão dirigir com mais centralidade essas diversas áreas e que estarão ligados ao Fórum Nacional de Movimentos Sociais do PCdoB.

Esse Fórum Nacional de Movimentos Sociais (FNMS) do PCdoB é o novo desafio colocado para a secretaria; ele nasce com a preocupação de aumentar as condições de o partido se articular nacionalmente e será um espaço onde pretendemos congregar todas essas lutas através de uma articulação unitária do trabalho partidário nas entidades que coordena ou onde tem influência. Em resumo, o desafio é constituir e consolidar esse fórum de movimentos sociais e garantir esse novo formato de direção mais coletivo e ampliado que possibilite uma atuação mais constante e uma formulação mais atualizada. A primeira reunião do FNMS será dia 22 e sua oficialização se dará durante o 3º Encontro Nacional de Movimentos Sociais do PCdoB, de 9 a 11 de abril em Brasília.

Partido Vivo: Você está assumindo a Secretaria num ano crucial para o país e para o projeto político do PCdoB. Como pretende casar as ações específicas da frente de movimentos sociais com a necessidade de colocar o povo nas ruas lutando pela manutenção do ciclo democrático aberto por Lula?
LS: A constituição do Fórum é uma aposta no sentido de que consigamos impulsionar os movimentos sociais na articulação dessas grandes mobilizações nacionais. Com o Fórum, poderemos manter uma atuação unitária, por exemplo, na Coordenação dos Movimentos Sociais e outros grandes espaços de atuação e fazer com que cada vez mais a gente consiga casar as agendas e os projetos construídos no Fórum das Centrais Sindicais com a CMS. Ou seja, acredito que este fórum vai nos ajudar a ter uma condução positiva nos movimentos sociais durante o processo eleitoral, de maneira que avancemos no projeto a ser encabeçado pela candidatura de Dilma Rousseff.

Ao mesmo tempo, os movimentos sociais precisam aparecer com a autonomia e a independência de quem exige mais direitos para o povo e de quem precisa fazer com que os avanços sejam ainda maiores no próximo período. Um ponto importante nesse aspecto é que os movimentos sociais aprovaram durante o último Fórum Social Mundial uma agenda de lutas que vai culminar no dia 31 de maio com a realização da Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, seguida da Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, dia 1º de junho.

Partido Vivo: Essa será a prioridade até lá…

LS: Sim. Daqui até lá, todo o nosso processo de organização se dará em torno da construção de uma grande assembleia, onde pretendemos aprovar o projeto que esperamos ser adotado pela próxima candidatura. Nesse programa, esperamos que figurem as grandes reformas estruturais que ainda não aconteceram.

Partido Vivo: Acha que houve avanços nesse último governo em relação aos movimentos sociais?
LS: Sem dúvida, houve grandes avanços sociais durante o governo Lula. Os movimentos sociais passaram a ser reconhecidos como um sujeito de diálogo com força política no país. Mas, a gente ainda não viu acontecer essas grandes reformas estruturantes, que vão garantir a democratização do Estado brasileiro e que vão empoderar o povo para que a gente possa se desenvolver como nação plena e soberana. Vamos exigir a aprovação dessas reformas nas discussões do dia 31 de maio e apresentar o projeto final à candidata de nosso campo à presidência da República. Até essa data, deve também se consolidar o processo de construção dos comitês sociais e populares de campanha para que os movimentos sociais possam participar de forma protagonista do processo eleitoral. Tais comitês serão geridos pelas entidades das mais diversas frentes sociais e levarão essas candidaturas majoritárias e proporcionais às ruas e para dentro das casas do povo brasileiro, mesmo que por fora das estruturas formais de campanha. O objetivo é que esses comitês estejam presentes no cotidiano do povo, levando o debate eleitoral para perto dele. Assim podemos ajudar a aglutinar mais força para que os brasileiros façam avançar o melhor projeto para o país.

Partido Vivo: Que reformas estruturantes são essas?
LS: Precisamos de uma reforma trabalhista que garanta mais direito aos trabalhadores; de uma reforma nos meios de comunicação para que sejam democratizados. Hoje, os movimentos sociais são frequentemente discriminados e criminalizados pela mídia. A reforma educacional é outro ponto fundamental porque ainda hoje a maioria do povo é excluída do processo de educação do Brasil. A reforma urbana, porque hoje as cidades grandes e médias sofrem um grande processo de deterioração por conta da forma de gestão que tem sido aplicada e que leva ao caos, ao crescimento desordenado; precisamos de moradia digna e de saneamento para o conjunto da população. Além de uma reforma política que garanta mais espaços de participação direta do povo nas decisões, através da instituição de plebiscitos e consultas públicas, e que democratize o acesso aos espaços institucionais com a aprovação do financiamento 100% público de campanha, a fidelidade partidária e votação em lista fechada.

Partido Vivo: Estas reformas fazem parte do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento proposto pelo PCdoB. Como as ações da secretaria se ligam a esse projeto?
LS: O Programa Socialista aprovado no 12º Congresso nos colocou um grande desafio: conseguir, no próximo período, uma inter-relação entre as três esferas de atuação política – institucional, social e de luta de ideias – que deve ser elevada ao status de fundamento, pois com ela faremos avançar o processo que nos levará ao socialismo. É necessário unificar e politizar a atuação do movimento social para que a gente garanta o avanço do Novo Projeto. Portanto, um dos desafios da Secretaria nos próximos quatro anos é conseguir traduzir e disseminar o NPND entre o movimento social brasileiro. Precisamos fazer com que ele esteja no dia a dia de lutas, que as conquistas que buscamos sejam entendidas como parte desse projeto de desenvolvimento. O Fórum do PCdoB será imprescindível no sentido de fazer com que os movimentos compreendam suas conquistas específicas – muitas vezes entendidas como corporativas – como parte dessa construção maior que é o NPND. Avançar na conexão entre essas bandeiras peculiares e o NPND será um marco deste período. Dessa forma, faremos nossa proposta chegar à população.

Partido Vivo: Essa ligação entre partido e movimentos sociais muitas vezes é criticada…
LS: O PCdoB tem histórico de atuação e de respeito à autonomia dos movimentos sociais. O partido sempre fez com que seus quadros atuantes nessa área fossem dirigidos pelo partido e seguissem seus preceitos, mas entendendo que cada entidade tem sua dinâmica e sua independência, que devem ser asseguradas. As entidades que são dirigidas por pessoas do PCdoB ou que têm participação expressiva de comunistas contam com seus próprios fóruns de deliberação fora da estrutura do partido. O PCdoB entende que a independência é uma das grandes riquezas dos movimentos sociais; é o que possibilita força e amplo diálogo.

Partido Vivo: O que você destaca como pontos fortes e fracos do PCdoB nos movimentos sociais?
LS: O aspecto negativo foi justamente a falta de especialização de nossos quadros na direção de cada frente específica, dificuldade esta que tivemos devido à grande gama de temas que o PCdoB abarca. Como aspecto positivo, destaco justamente o entendimento que o PCdoB tem no que diz respeito à autonomia e à necessidade de unidade dos movimentos sociais. Precisamos que, cada vez mais, a Coordenação dos Movimentos Sociais seja o grande espaço de atuação unitária, de aglutinação de forças do povo na busca por mais avanços, por direitos sociais e pelo Brasil. Precisamos aumentar a nossa atuação e contribuir para que as ações da CMS estejam cada vez mais casadas com as do Fórum das Centrais Sindicais. Além disso, é necessário garantir um acompanhamento mais coletivo do nosso trabalho através das nossas coordenações recém-criadas que será dado pelo Fórum Nacional de Movimentos Sociais do partido.

Da redação,
Priscila Lobregatte

Fonte: http://pcdob.org.br

Juventude ligada na agenda política

O Conselho Nacional de Juventude tem novo presidente. Tomou posse na última quarta-feira (10/03) em Brasíla, meu amigo e camarada Danilo Moreira. Danilo já foi diretor da UNE e da direção nacional da UJS, hoje é secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República.

Entre as prioridades da agenda do CONJUVE se destacam a elaboração de uma plataforma de compromissos com a juventude aos candidatos à Presidência da República e a convocação no primeiro semestre do próximo ano da 2ª Conferência Nacional da Juventude.

Reproduzo abaixo a entrevista que ele concedeu ontem ao Portal Vermelho:

Danilo: a juventude deve ser protagonista de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento

Vermelho: Quais os avanços que podem ser pontuados em termos de política para a juventude após a realização da 1ª Conferência Nacional da Juventude?
Danilo Moreira: A gente vai chegando ao final do mandato do presidente Lula com inúmeras realizações apresentadas. A conferência aconteceu em 2008. Ela ajudou a impulsionar o que já estava em andamento e criar coisas novas. Nela, a juventude negra foi o tema prioritário, especialmente aqueles jovens que morrem violentamente, vítimas de assassinatos. Existe um programa do governo chamado Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) com inúmeras ações para assegurar direitos a essa parcela da população. Acho que isso é uma conquista importante. Outra resolução da Conferência, na área de esporte, levantou a necessidade de se construir mais equipamentos nos bairros. Imediatamente após a Conferência o próprio Ministério do Esporte anunciou as Praças da Juventude. Isso é uma conquista que eu posso atribuir exclusivamente a Conferência. Tanto é que a Praça da Juventude é um ponto de partida para algo que será anunciado daqui a mais uns dias, ainda no governo Lula, como parte do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Ou seja, o tema da juventude passou a entrar numa agenda do principal programa do governo federal.

Vermelho: O que será anunciado nessa área?
DM: Está sendo debatido um equipamento para a juventude, um espaço que possa integrar a área de cultura, esporte e os movimentos juvenis. Mas isso é um anuncio que ainda será feito no fim de março ou começo de abril, inclusive pela ministra Dilma (Rousseff – ministra-chefe da Casa Civil) que é a responsável pela condução do PAC.

Vermelho: Que tipo de ações precisam ser fortalecidas?
DM: Nós vamos ter que apresentar um investimento muito grande na política educacional. Investimento na educação pública, na universidade pública, no fortalecimento da rede de escolas técnicas e escolas técnicas profissionalizantes. A educação talvez seja a principal política de juventude. Também necessita de um cuidado especial a esses segmentos que são vulneráveis da juventude. O Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens) é o principal programa que a Secretaria Nacional da Juventude coordena. Um programa voltado para esse público que abandonou a escola e tem dificuldade no mercado de trabalho. Eu destacaria também a questão da participação social. O diálogo que o governo federal tem hoje com os movimentos juvenis é diametralmente oposto do que tinha o governo anterior. Qualquer contato que o estado tinha com juventude era por meio da polícia. A gente enfrentava a polícia na rua. Agora não. Você tem um Conselho Nacional de Juventude, a realização da Conferência e tem a relação direta do presidente com diversos movimentos juvenis, a UNE em especial.

Vermelho: Mas os problemas ainda estão bastante acentuados, a exemplo da violência…
DM: Acho que a gente precisa ter uma ação ainda maior na questão da morte por causas externas da juventude, seja por conta de jovens que morrem por arma de fogo, geralmente são jovens negros das periferias, seja os jovens que morrem por acidente de trânsito, que grosso modo são jovens brancos de classe média. Mas o fato que é uma geração de jovens que está perdendo a vida. Essa questão do direito a vida é um gargalo. Os próximos governos precisam dar muita atenção a isso. Acho que também outro gargalo é a questão do ensino médio. É reconhecido que existe uma crise de identidade do ensino médio. Se a gente perguntar para qualquer jovem que está num banco de escola por que ele está ali, ele vai dizer que acha a educação importante, mas ele está ali sem nenhuma identidade com aquela escola, o currículo dela, a metodologia, os professores e o ambiente escolar. Essa é uma faixa da juventude muito importante e os dois temas são gravíssimos.

Vermelho: E os problemas enfrentados no mercado de trabalho?

DM: O problema de hoje é a qualidade do trabalho que esses jovens conseguem ter. Jovens com remuneração precária, baixos salários e muitos na economia informal. Então nós estamos trabalhando com a principal bandeira de um trabalho decente para juventude, um conceito que OIT (Organização Internacional do Trabalho) está utilizando e que a gente acha bastante justo.

Vermelho: Em muitas ocasiões a tua geração já foi tratada por estereótipos. O principal deles é que se trata de uma juventude alienada. O que você acha disso?
DM: Acho isso uma injustiça, a geração atual carrega essa injustiça. Sempre atribuem a ela esse mito da apatia, a não participação, o distanciamento da política que não é muito verdadeiro. Geralmente nos comparam as gerações anteriores da década de 60, 70, mas se você observar do ponto de vista até quantitativo o número de jovens que participa hoje é muito maior. Se você observar nossa Conferência Nacional foram 400 mil participantes no processo. Você tinha lá jovens organizados em diversos movimentos, hoje felizmente o movimento de juventude não é sinônimo de movimento estudantil. A gente acha importante movimento estudantil, mas há jovens que lutam pelo meio ambiente, jovens trabalhadores, trabalhadores rurais. Então isso é bom, você tem diversidade de movimentos juvenis.

Vermelho: O que você acha do movimento Hip Hop?
DM: É uma grande manifestação, outra linguagem. Linguagem da cultura, do grafite, corporal, a dança de rua e tem uma mensagem política, mas não é só o Hip Hop tem outros movimentos. Mas o que existe e, é importante dizer, é que existe uma exclusão política da juventude, não uma apatia. Existe uma exclusão. Se você observar desde a redemocratização você ver quantos jovens deputados federais eleitos no Brasil. Então tem um número que não ultrapassa 2%. Você tem uma população hoje no Brasil que é de 50 milhões de jovens que equivale a 26% da população brasileira, mas no Congresso Nacional você tem 2% (de jovens) deputados federais.

Vermelho: Que não podem ser candidatos ao Senado?

DM: Isso! Só na Câmara. Então é uma exclusão. Jovem é importante para fazer movimento, pedir voto e carregar bandeira em passeata, mas na hora de espaço de poder para os jovens são poucas Manuelas (referência a deputada federal Manuela D´ávila do PCdoB do Rio Grande do Sul). A gente precisa tratar isso a sério com os partidos políticos porque existe um enorme preconceito. Então eu acho que o problema é mais a exclusão política.

Vermelho: Do ponto de vistas das eleições 2010, o que se pensa em termos de juventude?
DM: Eu vejo com otimismo, inclusive esse será o principal ponto de atuação do Conselho este ano. Nós vamos reeditar uma ação chamada pacto pela juventude, que foi uma estratégia que nós realizamos na campanha a prefeito em 2008. Nós vamos discutir pelo Conselho Nacional da Juventude uma plataforma para ser apresentada a todos os candidatos a presidente.

Vermelho: Quais os pontos principais dessa plataforma?
DM: O futuro presidente ou presidenta terá que ter um compromisso com a continuidade da política de juventude e com o desenvolvimento dessas políticas. Quer dizer mais investimentos nesses programas e de assegurar a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, logo no primeiro semestre de 2011. Também queremos a multiplicação dos conselhos estaduais e municipais da juventude. E que evidentemente tenha mais orçamento para essas políticas de cultura, educação e esporte. Então essa é lógica da plataforma.

De Brasília,
Iram Alfaia