Juventude ligada na agenda política

O Conselho Nacional de Juventude tem novo presidente. Tomou posse na última quarta-feira (10/03) em Brasíla, meu amigo e camarada Danilo Moreira. Danilo já foi diretor da UNE e da direção nacional da UJS, hoje é secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República.

Entre as prioridades da agenda do CONJUVE se destacam a elaboração de uma plataforma de compromissos com a juventude aos candidatos à Presidência da República e a convocação no primeiro semestre do próximo ano da 2ª Conferência Nacional da Juventude.

Reproduzo abaixo a entrevista que ele concedeu ontem ao Portal Vermelho:

Danilo: a juventude deve ser protagonista de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento

Vermelho: Quais os avanços que podem ser pontuados em termos de política para a juventude após a realização da 1ª Conferência Nacional da Juventude?
Danilo Moreira: A gente vai chegando ao final do mandato do presidente Lula com inúmeras realizações apresentadas. A conferência aconteceu em 2008. Ela ajudou a impulsionar o que já estava em andamento e criar coisas novas. Nela, a juventude negra foi o tema prioritário, especialmente aqueles jovens que morrem violentamente, vítimas de assassinatos. Existe um programa do governo chamado Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) com inúmeras ações para assegurar direitos a essa parcela da população. Acho que isso é uma conquista importante. Outra resolução da Conferência, na área de esporte, levantou a necessidade de se construir mais equipamentos nos bairros. Imediatamente após a Conferência o próprio Ministério do Esporte anunciou as Praças da Juventude. Isso é uma conquista que eu posso atribuir exclusivamente a Conferência. Tanto é que a Praça da Juventude é um ponto de partida para algo que será anunciado daqui a mais uns dias, ainda no governo Lula, como parte do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Ou seja, o tema da juventude passou a entrar numa agenda do principal programa do governo federal.

Vermelho: O que será anunciado nessa área?
DM: Está sendo debatido um equipamento para a juventude, um espaço que possa integrar a área de cultura, esporte e os movimentos juvenis. Mas isso é um anuncio que ainda será feito no fim de março ou começo de abril, inclusive pela ministra Dilma (Rousseff – ministra-chefe da Casa Civil) que é a responsável pela condução do PAC.

Vermelho: Que tipo de ações precisam ser fortalecidas?
DM: Nós vamos ter que apresentar um investimento muito grande na política educacional. Investimento na educação pública, na universidade pública, no fortalecimento da rede de escolas técnicas e escolas técnicas profissionalizantes. A educação talvez seja a principal política de juventude. Também necessita de um cuidado especial a esses segmentos que são vulneráveis da juventude. O Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens) é o principal programa que a Secretaria Nacional da Juventude coordena. Um programa voltado para esse público que abandonou a escola e tem dificuldade no mercado de trabalho. Eu destacaria também a questão da participação social. O diálogo que o governo federal tem hoje com os movimentos juvenis é diametralmente oposto do que tinha o governo anterior. Qualquer contato que o estado tinha com juventude era por meio da polícia. A gente enfrentava a polícia na rua. Agora não. Você tem um Conselho Nacional de Juventude, a realização da Conferência e tem a relação direta do presidente com diversos movimentos juvenis, a UNE em especial.

Vermelho: Mas os problemas ainda estão bastante acentuados, a exemplo da violência…
DM: Acho que a gente precisa ter uma ação ainda maior na questão da morte por causas externas da juventude, seja por conta de jovens que morrem por arma de fogo, geralmente são jovens negros das periferias, seja os jovens que morrem por acidente de trânsito, que grosso modo são jovens brancos de classe média. Mas o fato que é uma geração de jovens que está perdendo a vida. Essa questão do direito a vida é um gargalo. Os próximos governos precisam dar muita atenção a isso. Acho que também outro gargalo é a questão do ensino médio. É reconhecido que existe uma crise de identidade do ensino médio. Se a gente perguntar para qualquer jovem que está num banco de escola por que ele está ali, ele vai dizer que acha a educação importante, mas ele está ali sem nenhuma identidade com aquela escola, o currículo dela, a metodologia, os professores e o ambiente escolar. Essa é uma faixa da juventude muito importante e os dois temas são gravíssimos.

Vermelho: E os problemas enfrentados no mercado de trabalho?

DM: O problema de hoje é a qualidade do trabalho que esses jovens conseguem ter. Jovens com remuneração precária, baixos salários e muitos na economia informal. Então nós estamos trabalhando com a principal bandeira de um trabalho decente para juventude, um conceito que OIT (Organização Internacional do Trabalho) está utilizando e que a gente acha bastante justo.

Vermelho: Em muitas ocasiões a tua geração já foi tratada por estereótipos. O principal deles é que se trata de uma juventude alienada. O que você acha disso?
DM: Acho isso uma injustiça, a geração atual carrega essa injustiça. Sempre atribuem a ela esse mito da apatia, a não participação, o distanciamento da política que não é muito verdadeiro. Geralmente nos comparam as gerações anteriores da década de 60, 70, mas se você observar do ponto de vista até quantitativo o número de jovens que participa hoje é muito maior. Se você observar nossa Conferência Nacional foram 400 mil participantes no processo. Você tinha lá jovens organizados em diversos movimentos, hoje felizmente o movimento de juventude não é sinônimo de movimento estudantil. A gente acha importante movimento estudantil, mas há jovens que lutam pelo meio ambiente, jovens trabalhadores, trabalhadores rurais. Então isso é bom, você tem diversidade de movimentos juvenis.

Vermelho: O que você acha do movimento Hip Hop?
DM: É uma grande manifestação, outra linguagem. Linguagem da cultura, do grafite, corporal, a dança de rua e tem uma mensagem política, mas não é só o Hip Hop tem outros movimentos. Mas o que existe e, é importante dizer, é que existe uma exclusão política da juventude, não uma apatia. Existe uma exclusão. Se você observar desde a redemocratização você ver quantos jovens deputados federais eleitos no Brasil. Então tem um número que não ultrapassa 2%. Você tem uma população hoje no Brasil que é de 50 milhões de jovens que equivale a 26% da população brasileira, mas no Congresso Nacional você tem 2% (de jovens) deputados federais.

Vermelho: Que não podem ser candidatos ao Senado?

DM: Isso! Só na Câmara. Então é uma exclusão. Jovem é importante para fazer movimento, pedir voto e carregar bandeira em passeata, mas na hora de espaço de poder para os jovens são poucas Manuelas (referência a deputada federal Manuela D´ávila do PCdoB do Rio Grande do Sul). A gente precisa tratar isso a sério com os partidos políticos porque existe um enorme preconceito. Então eu acho que o problema é mais a exclusão política.

Vermelho: Do ponto de vistas das eleições 2010, o que se pensa em termos de juventude?
DM: Eu vejo com otimismo, inclusive esse será o principal ponto de atuação do Conselho este ano. Nós vamos reeditar uma ação chamada pacto pela juventude, que foi uma estratégia que nós realizamos na campanha a prefeito em 2008. Nós vamos discutir pelo Conselho Nacional da Juventude uma plataforma para ser apresentada a todos os candidatos a presidente.

Vermelho: Quais os pontos principais dessa plataforma?
DM: O futuro presidente ou presidenta terá que ter um compromisso com a continuidade da política de juventude e com o desenvolvimento dessas políticas. Quer dizer mais investimentos nesses programas e de assegurar a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, logo no primeiro semestre de 2011. Também queremos a multiplicação dos conselhos estaduais e municipais da juventude. E que evidentemente tenha mais orçamento para essas políticas de cultura, educação e esporte. Então essa é lógica da plataforma.

De Brasília,
Iram Alfaia

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